Empresas de eventos teriam se beneficiado de emendas Pix e isenção de impostos, aponta STF

Ministro Flávio Dino, relator da ação, cita o caso de uma produtora ligada aos sertanejos Jorge & Mateus que tiveram R$ 34 milhões em benefício fiscal

Empresa ligada a dupla Jorge & Mateus é citada por Dino em decisão

Empresas do setor de eventos que tiveram isenção de impostos pelo Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) também aparecem ligadas ao recebimento de recursos de emendas parlamentares. A possível sobreposição de benefícios foi apontada em uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferida nesta terça-feira (27), e que cobra mais transparência sobre o uso do dinheiro público.

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Segundo o ministro, a falta de informações completas “compromete deveres básicos de transparência e rastreabilidade dos recursos oriundos de emendas parlamentares”, sobretudo diante dos valores elevados envolvidos em renúncias fiscais, que impactam “o equilíbrio das contas públicas e a própria capacidade de planejamento estatal”.

Sertanejos entram no radar

Nos dados já analisados no processo, o STF identificou empresas ligadas à produção musical e à realização de eventos entre as beneficiadas pelo Perse. Em um dos casos citados na decisão, a renúncia fiscal chegou a cerca de R$ 34 milhões para uma única empresa, valor que levou o relator a reforçar a necessidade de cruzar essas informações com os repasses de emendas.

A empresa citada por Dino é a TEP Entretenimento e Promoções, cujo administrador é Heitor Antônio Liduário Oliveira - irmão do sertanejo Mateus, da dupla Jorge e Mateus, e responsável pela gestão da carreira da dupla.

Em sua decisão, Dino também cita outras empresas do ramo, entre elas a Ecxpetaculo Entretenimento - empresa que tem como sócio o sertanejo Eduardo Costa. Com sede em Divinópolis, a produtora teria recebido uma isenção fiscal de aproximadamente R$ 6 milhões entre 2020 e 2024, além de receber emendas parlamentares.

Problema está nos planos de trabalho

Um dos principais entraves apontados por Dino está nos planos de trabalho cadastrados por estados e municípios para justificar o uso das emendas. Muitos desses planos ainda estão incompletos ou não tiveram os relatórios de gestão apresentados, o que impede a verificação de quem executou os recursos e como o dinheiro foi aplicado.

O ministro destacou que é “imprescindível” a apresentação desses documentos para permitir a análise completa dos repasses. Sem os relatórios, segundo ele, não há como garantir a rastreabilidade do dinheiro público.

Prazo e ameaça de punição

Diante das lacunas, Dino determinou que estados e municípios enviem, em até 30 dias, os relatórios de gestão pendentes e façam as complementações necessárias nos planos de trabalho na plataforma federal de transferências. Ele advertiu que a demora pode levar à adoção de “medidas coercitivas cabíveis”, além da apuração de responsabilidade de gestores públicos que não prestarem contas.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

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