Toffoli reduz prazo para que PF realize novos depoimentos no caso Master

Oitivas com investigados na fraude bancária do Master estavam marcadas para um intervalo de cinco dias entre 23 e 28 de janeiro

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF)

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), reduziu de cinco para dois dias o prazo para que a Polícia Federal (PF) realize novos depoimentos de investigados no caso da fraude bancária do Master. As oitivas estavam previstas para ocorrer entre 23 e 28 dias, mas a decisão de agora estabelece que elas sejam realizadas em dois dias consecutivos

O despacho desta sexta-feira (16) atende a um pedido da própria PF. Toffoli pediu para que a corporação indique um cronograma diante da “limitação de pessoal e disponibilidade de salas” no Supremo. A informação é da Folha de São Paulo.

Até o momento, foram ouvidos o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique da Costa, que vão prestar um segundo depoimento, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Dentre as novas oitivas previstas estão a do ex-sócio do Master, Augusto Lima, e a do ex-diretor Luiz Antônio Bull.

Também devem ser ouvidos o ex-diretor financeiro do BRB, Dario Oswaldo e o superintendente de operações do BRB, Robério Mangueira. A PF investiga a participação de cada um dos envolvidos na venda de uma carteira de crédito falsa do Master ao BRB, por um valor estimado de R$ 12 bilhões.

Durante seu depoimento, Vorcaro chegou a negar que tenha vendido os títulos e criticou a decisão do Banco Central em decretar a liquidação extrajudicial do seu conglomerado, ainda em novembro de 2025. O empresário e o Master foram alvos da operação Compliance Zero, que teve a sua segunda fase deflagrada nessa quarta-feira (14)

A nova ofensiva da PF mirou o uso de fundos de investimentos no esquema do Master. O banco de Vorcaro estaria usando essas instituições para inflar sua capitalização com o desvio do dinheiro aplicado nos rendimentos. Além do empresário, foram alvos João Carlos Mansur, sócio-fundador da Reag Investimentos, liquidada na quinta-feira (15), e o investidor Nelson Tanure.

Na decisão que autorizou a operação, Toffoli criticou a Polícia Federal por ter atrasado a ofensiva, que estava prevista para o dia 13 de janeiro. No documento, Toffoli justifica a publicidade da decisão ao afirmar que atrasos no cumprimento de ordens judiciais colocaram a investigação em risco concreto.

O magistrado também chegou a determinar que as provas apreendidas fossem trancadas no STF, mas depois recuou e autorizou que a Procuradoria-Geral da República e a PF analisem os materiais obtidos na operação, após alertas de risco para perda de dados armazenados em aparelhos eletrônicos.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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