A Justiça Federal em São Paulo manteve a prisão preventiva do banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal na terceira fase da operação Compliance Zero, que investiga os crimes do Banco Master e seu dono contra o sistema financeiro. O empresário será levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) 2 de Guarulhos, na Grande São Paulo.
Além de Vorcaro, Fabiano Zettel, seu cunhado, também teve a prisão preventiva mantida e será levado ao CDP 2. A prisão ocorreu após a PF encontrar novas mensagens no telefone do empresário em que ele aparece conspirando contra as investigações, além de ameaçar jornalistas e outras figuras críticas ao escândalo do Master.
Mesmo após o empresário ter sido preso pela primeira vez, em novembro do ano passado, ele teria atuado para “ocultar recursos” do Master. Segundo relatório da PF, no dia em que foi deflagrada a segunda fase da operação, em 14 de janeiro, foi bloqueada a quantia de R$ 2.245 bilhões com Henrique Vorcaro, pai do banqueiro do Master, em uma conta junto à gestora de fundos de investimento da Reag.
Em sua decisão, Mendonça destacou que as provas documentais demonstram que o grupo de Vorcaro, conhecido como “A Turma”, atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas, o que configura “característica típica de organizações criminosas”. O ministro detalha elementos reunidos na investigação apontando que o banqueiro estava tentando obstruir as investigações.
“Ainda em relação a esse núcleo específico, identificou-se a emissão de ordens diretas de Daniel Vorcaro para que fossem praticados atos de intimidação de pessoas (dentre as quais, concorrentes empresariais, ex-empregados e jornalistas) que seriam vistas como prejudiciais aos interesses da organização, e com vistas à obstrução da justiça”, disse.
Em nota, a defesa de Vorcaro nega que ele tenha tentado atrapalhar as investigações do escândalo financeiro do Master. Os advogados afirmam que o banqueiro sempre esteve “à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça”.