8 de janeiro: Moraes aceita acordo para encerrar processo de deputado mineiro
Parlamentar mineiro terá de prestar serviços comunitários, pagar multa e participar de curso sobre democracia para cumprir acordo firmado com a PGR

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou o Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado pelo deputado estadual mineiro Sargento Rodrigues (PL-MG), acusado de incitação ao crime e associação criminosa no processo sobre atos do dia 8 de janeiro de 2023.
Com a homologação do acordo, a ação penal contra o parlamentar será suspensa e poderá ser extinta após o cumprimento integral das condições estabelecidas.
Segundo a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), Rodrigues utilizou as redes sociais para estimular a animosidade entre as Forças Armadas e os Poderes da República, além de incentivar a adesão a uma ruptura institucional após as eleições de 2022.
Pelo acordo firmado, o deputado se compromete a:
- prestar 150 horas de serviços à comunidade ou a entidades públicas;
- pagar multa de R$ 5 mil;
- ficar proibido de utilizar redes sociais abertas até a extinção das obrigações previstas no acordo;
- participar presencialmente de um curso sobre “Democracia, Estado de Direito e Golpe de Estado”, com carga horária mínima de 12 horas;
- cessar qualquer conduta relacionada aos fatos investigados;
- não responder a outro processo criminal ou contravenção penal durante a vigência do acordo;
- declarar que não celebrou transação penal, acordo de não persecução penal ou suspensão condicional do processo nos cinco anos anteriores aos fatos investigados.
O caso
Sargento Rodrigues se tornou réu no STF após a Primeira Turma aceitar denúncia apresentada pela PGR.
A acusação apontava que o parlamentar publicou vídeos e mensagens nas redes sociais exaltando os atos golpistas de 8 de janeiro e incentivando a mobilização contra as instituições democráticas.
Ao votar pelo recebimento da denúncia, Alexandre de Moraes classificou a conduta do deputado como “gravíssima”.
“O denunciado incitou, publicamente, a animosidade das Forças Armadas contra os Poderes Constitucionais, por meio da divulgação, em seu perfil na rede social Instagram, de vídeo com teor disruptivo que exaltava os atos de invasão e depredação das sedes dos Três Poderes”, escreveu o ministro.
Moraes também afirmou que o parlamentar atuou de forma “livre, consciente e voluntária” para desacreditar o sistema eleitoral e estimular comportamentos semelhantes por parte de seus seguidores.
Defesa
Quando a denúncia foi recebida pelo STF, a defesa de Sargento Rodrigues argumentou que os fatos já haviam sido analisados e arquivados em investigações anteriores.
Os advogados também sustentaram a inexistência de dolo na conduta do parlamentar e destacaram que ele estava em viagem internacional durante os atos de 8 de janeiro, o que afastaria qualquer participação direta nos episódios ocorridos em Brasília.
A Itatiaia procurou novamente o deputado após a homologação do acordo. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno. O espaço permanece aberto para manifestação.
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.
