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Governo Lula prepara resposta a Milei, mas evita ampliar crise com a Argentina

Após ataques feitos pelo presidente argentino em evento no Brasil, Planalto busca reação firme sem comprometer a relação diplomática entre os dois países

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O presidente Lula (esq.) e o presidente da Argentina, Javier Milei (dir.)
O presidente Lula (esq.) e o presidente da Argentina, Javier Milei (dir.) • Ricardo Stuckert/PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) prepara uma resposta às declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, mas busca evitar que a crise afete a relação institucional entre os dois países. A informação foi confirmada por diplomatas ouvidos pela CNN Brasil.

Segundo fontes ligadas ao Itamaraty e ao Palácio do Planalto, o principal motivo de insatisfação foi o fato de Milei ter feito as críticas em território brasileiro. No último sábado (25), durante uma convenção política que lançou a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, o argentino chamou Lula de "presidiário", acusou o governo brasileiro de "prender opositores", classificou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, como "careca lixo" e ainda criticou a política econômica do Brasil.

Apesar do tom das declarações, o governo brasileiro avalia que uma reação mais contundente pode prejudicar a relação diplomática com a Argentina e gerar desgaste com outros setores da sociedade do país vizinho. Por isso, segundo diplomatas, o Itamaraty não pretende exigir um pedido formal de desculpas da Casa Rosada, já que não acredita que isso aconteça.

Nessa segunda-feira (27), Lula foi questionado por jornalistas sobre as falas de Milei e respondeu em tom de ironia. Ao ouvir a pergunta sobre o presidente argentino, disse: "Quem é esse cara?".

No mesmo dia, o ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, afirmou, em entrevista, que a economia brasileira apresenta desempenho superior ao da Argentina e chamou Javier Milei de "palhaço".

Também nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reuniu-se no Itamaraty com o embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli. O encontro durou cerca de 40 minutos, e uma nova conversa entre os dois deve ocorrer nos próximos dias.

Na noite desse domingo (26), Vieira já havia conversado com o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi. Segundo a CNN Brasil, o chanceler classificou as declarações de Milei como "inaceitáveis" e "sem precedentes".

Do lado argentino, o chefe de gabinete do governo Milei, Diego Santilli, minimizou o episódio e defendeu a postura do presidente. Ao comentar a convocação dos embaixadores, afirmou apenas: "Não exagerem."

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