Lula critica investimentos em guerras e defende ajuda a Cuba e ao Haiti

Presidente discursou durante evento sobre o combate à fome, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quarta-feira (4) o investimento global em assuntos militares em detrimento ao combate à fome e cobrou engajamento dos líderes de países que são membros permanentes do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU): Inglaterra, França, Estados Unidos, Rússia e China.

“Seria apenas uma reflexão de bom senso se houvesse a convocação, são apenas cinco pessoas, que poderiam fazer uma teleconferência. Não precisaria ninguém correr risco para ninguém ser atacado por drone à noite, para ninguém ser vítima de mísseis. Poderia ser feita uma teleconferência para fazer uma discussão muito clara se o que vai resolver o problema da humanidade é mais guerra ou mais paz”, defendeu o petista.

A declaração, em meio à escalada de conflitos no Oriente Médio, foi dada durante a abertura da 39ª Conferência Regional da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) para a América Latina e o Caribe, realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília.

O evento é o principal fórum regional da entidade e tem o objetivo de definir as prioridades e alinhamento estratégico das ações da organização no biênio 2026-2027, com a presença de ministros, autoridades e representantes dos países da região. A programação inclui debates sobre segurança alimentar e nutricional, agricultura sustentável e cooperação regional.

Em seu discurso, Lula também criticou o embargo econômico a Cuba e defendeu ajuda internacional ao país caribenho e ao Haiti.

“Cuba não está passando fome porque não sabe produzir.Falante 1 00:07:58Cuba não está passando fome porque não sabe construir a sua energia. Cuba está passando fome porque não quer que Cuba tenha certas coisas que todo mundo deveria ter direito. Mas vamos supor, vamos supor que não se cuida de Cuba por uma perseguição ideológica. ‘Então não vamos ajudar Cuba porque é um país comunista’. Ajuda o Haiti, que está de lado, que passa tanto ou mais fome do que Cuba e está sendo dominado por gangues. Tem tanta gente para ser ajudada que está esperando um gesto”, declarou.

Durante o evento, a primeira-dama Janja Lula da Silva também foi condecorada pelo diretor-geral da FAO, o chinês Tchu Dongyu, com o título de “campeã da boa-vontade contra a fome”.

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Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.

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