Suspeita de elo com o PCC e caso Master: entenda a liquidação da Reag

Empresa foi fechada oficialmente pelo Banco Central, que argumento graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN)

Empresa foi alvo da Operação Carbono Oculto em agosto

O Banco Central decretou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, novo nome da Reag Trust, por “graves violações às normas” que regem as atividades do Sistema Financeiro Nacional. A empresa era responsável pela gestão dos fundos controlados pela Reag Investimentos.

A decisão da autoridade monetária ocorre dois dias após a Polícia Federal (PF) deflagrar a segunda fase da operação Compliance Zero, que apura o uso de fundos de investimentos no esquema de fraude do Banco Master. A investigação aponta que o esquema era feito com empréstimos feitos pelo Master as empresas, que então aplicavam nos fundos suspeitos de fraude, que estariam desviando recursos de volta para o banco para inflar superficialmente seu capital.

A operação da Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, além de realizar o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. Um dos alvos da operação desta quarta-feira (14) foi o empresário João Carlos Mansur, sócio-fundador da Reag e que deixou a gestão do grupo em setembro de 2025.

Contudo, essa não é a única polêmica envolvendo a empresa nos últimos meses. Em agosto, a Reag foi alvo da Operação Carbono Oculto na Faria Lima, em São Paulo, que investigou o envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) em um esquema de fraudes no setor de combustíveis e o uso de fintechs e fundos de investimentos para a lavagem de dinheiro.

A suspeita é de que pelo menos 40 fundos, com patrimônio na casa dos R$ 30 bilhões, estavam sendo controlados pela facção criminosa. Na época, a PF e a Receita Federal explicaram que as gestoras teriam conhecimento das irregularidades e contribuíram para ocultar a movimentação financeira do PCC.

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Mansur renunciou ao cargo de presidente do Conselho de Administração da Reag em setembro do ano passado, na esteira das repercussões da megaoperação. No mesmo mês, a empresa foi vendida para a Arandu Partner Holding por uma valor estimado em R$ 100 milhões.

Já em outubro, a Reag capital holding, que controlava as demais empresas do grupo, solicitou a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o cancelamento do registro de emissor na categoria B, destinada a empresas que emitem títulos públicos como debêntures ou cotas de fundos, mas não possuem ações na bolsa de valores.

Em nota, o Banco Central afirmou apenas que a liquidação ocorreu por descumprimento das normas financeiras. Segundo a autoridade monetária, a Reag Trust representa menos de 0,001% dos ativo total ajustado no Sistema Financeiro Nacional.

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição”, disse.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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