Guerra no Irã: especialistas analisam riscos e oportunidades para a economia do Brasil
Conflito gera pressão sobre combustíveis e fretes, mas estabilidade brasileira pode atrair compradores

O conflito envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos colocou a economia brasileira em estado de atenção. Embora geograficamente distante, o Brasil pode ser impactado pelo conflito, com uma combinação de riscos inflacionários e janelas de oportunidade estratégica nos setores de energia, mineração e agronegócio.
Combustível da inflação
A principal preocupação imediata reside no mercado de energia. O Estreito de Ormuz, rota vital para o petróleo global, está sob constante ameaça, o que pressiona o valor do barril. Para o tributarista Luís Garcia, advogado pela USP/SP e sócio do Tax Group, o impacto no Brasil é em cadeia.
“O aumento do valor do barril gera pressão inflacionária imediata, encarece combustíveis, eleva o frete e impacta os alimentos. Isso pode interromper a trajetória de queda dos juros e até pressionar por novas altas”, afirmou Garcia. Ele ressaltou que, embora a valorização do petróleo possa gerar ganhos contábeis para a Petrobras, o efeito líquido para o país tende a ser negativo devido à redução do ritmo da atividade econômica e à pressão nas contas públicas.
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Agronegócio: custos em alta e gestão de risco
Para o setor de destaque da economia brasileira, o cenário é de cautela operacional. André Aidar, doutor e mestre em Agronegócio (UFG) e head de Direito do Agronegócio, explicou que o produtor rural sentirá o golpe primeiro na logística.
“A alta do petróleo afeta diretamente o custo do diesel utilizado nas operações agrícolas e no transporte interno. Como o Brasil depende de exportações de longa distância, qualquer aumento no combustível impacta a competitividade”, destacaou Aidar.
Além do diesel, o mercado de fertilizantes — sensível à geopolítica do Oriente Médio — pode registrar disparadas de preços e volatilidade nas rotas comerciais.
Oportunidade
Apesar das ameaças, a instabilidade global pode forçar grandes compradores a buscar parceiros mais seguros. É neste ponto que o Brasil pode se beneficiar. Ricardo Inglez de Souza, especialista em Comércio Internacional e Direito Econômico, vê um potencial reposicionamento estratégico.
“O Brasil pode ocupar espaços deixados por fornecedores afetados, especialmente em petróleo, minerais e alimentos. Como exportador relevante de ferro, níquel, cobre, carne e soja, o país pode ampliar sua presença em mercados que busquem alternativas estáveis”, projetou Inglez.
Para os especialistas, o conflito expõe fragilidades estruturais, como a dependência brasileira de fertilizantes importados e a exposição cambial. No entanto, o desfecho para o país dependerá da capacidade de planejamento das empresas e do governo.
Tabela: possíveis vetores de impacto na economia brasileira
| Fator de risco | Impacto esperado | Setor mais afetado |
| Petróleo | Alta nos combustíveis e fretes | Transportes e agronegócio |
| Câmbio | Valorização do dólar (insumos mais caros) | Indústria e agro |
| Logística | Prêmios de seguro e frete marítimo elevados | Comércio exterior |
| Geopolítica | Diversificação de fornecedores globais | Exportadores de minério e proteína |
Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde



