Belo Horizonte
Itatiaia

Taxa de desemprego sobe 6,1% no trimestre encerrado em março

Resultado segue como a menor taxa para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pnad Contínua

Por
Carteira de trabalho digital
Carteira de trabalho digital • Marcelo Camargo/Agência Brasil

A taxa de desocupação subiu para 6,1% no trimestre encerrado em março, acima dos 5,1% registrados no final de 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (30). O resultado segue como a menor taxa para um primeiro trimestre desde 2012, quando começou a série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

Em números brutos, a população desocupada chegou a 6,6 milhões, com mais 1,1 milhão de pessoas em busca de uma ocupação. Contudo, na comparação anual, o contingente de pessoas procurando trabalho recuou 13,0%, ou menos 987 mil pessoas.

O total de trabalhadores do país fiou em 102,0 milhões, recuando 1,0% (ou 1,0 milhão de trabalhadores a menos) no trimestre, mas permanecendo 1,5% (mais 1,5 milhão de pessoas ocupadas) acima do contingente registrado no mesmo trimestre móvel de 2025.

Se comparado com o trimestre anterior, não houve aumento no número de pessoas ocupadas em nenhum dos grupos de atividades analisados pela Pnad Contínua, enquanto em três grupos ocorreram reduções. O comércio perdeu 287 mil postos de trabalho (1,5%), a administração pública perdeu 439 mil postos (2,3%), e os serviços domésticos perderam 148 mil (2,6%).

Sazonalidade

Para Adriana Beringuy, coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, “a redução do contingente de trabalhadores ocorreu em atividades que, tipicamente, apresentam esse comportamento; seja devido à tendência de recuo no Comercio nesse período do ano; seja pela dinâmica de encerramento de contratos temporário nas atividades de Educação e Saúde no setor público municipal.”

O economista sênior do Banco Inter, André Valério, também destacou que o resultado reflete a sazonalidade do período. Porém, ele ressalta a tendência de enfraquecimento do mercado de trabalho mesmo que na margem, alcançando 5,7% em março, maior valor desde setembro de 2025.

“No geral, vemos um mercado de trabalho ainda robusto, mas com piora em alguns indicadores importantes, como o aumento da população desocupação e queda da população ocupada. Por outro lado, a renda real continua crescendo, renovando o recorde histórico, avançando 1,6% no trimestre”, disse o especialista, explicando que a leitura ainda não reflete os impactos da guerra no Irã.

Informalidade recua e renda cresce

No trimestre encerrado em março, a informalidade foi de 37,3% da população, o equivalente a 38,1 milhões de trabalhadores. O indicador ficou abaixo dos 37,6% registrados no trimestre anterior, bem como dos 38% do trimestre encerrado em março de 2025, há um ano.

O número de empregados com carteira assinada no setor privado (excluindo-se os trabalhadores domésticos) ficou em 39,2 milhões, sem variações significativas no trimestre, mas subindo 1,3% (ou 504 mil pessoas a mais com carteiras assinadas) no ano. Já o número de empregados sem carteira no setor privado recuou 2,1% (menos 285 mil pessoas) no trimestre, chegando a 13,3 milhões.

Por outro lado, a massa de rendimento real, ou seja, a soma das remunerações dos trabalhadores do país bateu um recorde no trimestre encerrado em março: R$ 374,8 bilhões com estabilidade no trimestre e alta de 7,1% (ou mais R$ 24,8 bilhões) no ano.

O rendimento médio real dos trabalhadores também chegou a um novo recorde a R$ 3.722, crescendo 1,6% no trimestre e 5,5% no ano, já descontada a inflação. Adriana Beringuy observa que “o rendimento cresceu em atividades que reduziram a participação em seus contingentes de trabalhadores informais ou de formais com menores rendimentos”.

Por

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.