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Mesmo em queda, criminalidade rural ainda desafia produtores em Minas Gerais

Falta de monitoramento e atuação de quadrilhas mantém clima de alerta no campo

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Minas registra redução de crimes rurais, mas roubos seguem no radar do agro
Minas registra redução de crimes rurais, mas roubos seguem no radar do agro • Freepik

De acordo com dados de 2025 e análises de 2024 da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp), a criminalidade rural em Minas Gerais apresenta tendência de queda. Apesar do cenário positivo, o tema ainda é considerado um desafio estratégico, sobretudo em relação a roubos de maquinários, insumos e cargas.

Em Carmópolis de Minas, na região Centro-Oeste do estado, o produtor rural Josemar dos Santos relata que a violência já faz parte da rotina no campo.

“É muito assalto. Você chega na lavoura e não encontra motor na horta. Roubam motores, bomba costal, equipamentos. Tudo está sendo levado”, afirma.

Josemar dos Santos, produtor rural • Anderson Porto | Itatiaia
Josemar dos Santos, produtor rural • Anderson Porto | Itatiaia

Insegurança no campo

A insegurança no meio rural é um problema sensível. Furtos e roubos à mão armada de maquinários, insumos e até de gado têm impactado diretamente o agronegócio. Em Cordisburgo, na região Centro-Norte, o produtor Edmar José Martins destaca que o risco também está no transporte de mercadorias.

“Às vezes, tem carro seguindo a gente. Tentamos desviar, mas é complicado. Antes, isso era mais comum nas cidades grandes; agora, chegou ao interior. Se não ficar atento, você acaba sendo roubado”, relata.

Entre janeiro e outubro de 2025, Minas Gerais registrou queda superior a 21% nos crimes violentos, incluindo roubos consumados e tentados, em comparação com o mesmo período de 2024. Ainda assim, entre janeiro e agosto de 2025, foram contabilizadas 463 ocorrências de crimes contra cargas, sendo 94 classificadas como roubos com uso de violência ou grave ameaça.

A vulnerabilidade de áreas isoladas e a falta de monitoramento continuam sendo fatores que favorecem a ação criminosa. Esse cenário tem impulsionado a atuação de forças policiais especializadas e a adoção de estratégias de segurança privada por parte dos produtores.

O vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e presidente do Sistema Faemg/Senar, Antônio de Salvo, alerta para a atuação de quadrilhas especializadas no setor, mas ressalta avanços no policiamento.

“Os criminosos conhecem o funcionamento das propriedades e sabem quais produtos têm maior valor. Por outro lado, temos uma boa parceria com a Polícia Militar, que mantém patrulhas rurais, além do apoio dos sindicatos e da atuação da Polícia Civil nas investigações. É um problema que não é exclusivo do campo, mas que também passou a atingi-lo”, explica.

Segundo Salvo, o uso de tecnologia é um caminho para reforçar a segurança. “Precisamos avançar no uso de ferramentas tecnológicas, como inteligência artificial e sistemas de monitoramento com reconhecimento facial. Ainda não estamos próximos de uma implementação ampla, mas já há integração com as polícias Militar e Civil. A troca de informações, por meio dos sindicatos e produtores, é fundamental para fortalecer a inteligência e combater esses crimes”, conta.

Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia
Antônio de Salvo, presidente do Sistema FAEMG SENAR e vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) • Reprodução Itatiaia

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Fabiano Frade é jornalista na Itatiaia e integra a equipe de Agro. Na emissora cobre também as pautas de cidades, economia, comportamento, mobilidade urbana, dentre outros temas. Já passou por várias rádios, TV's, além de agências de notícias e produtoras de conteúdo.