Irã proíbe exportações de alimentos devido à guerra com Israel e EUA

Medida visa garantir o abastecimento interno no quarto dia de confrontos

Irã é grande exportador de frutas secas

Em meio à escalada de tensões militares no Oriente Médio, o governo do Irã anunciou oficialmente, nesta terça-feira (3), a proibição por tempo indeterminado da exportação de todos os alimentos e produtos agrícolas produzidos no país. A medida, divulgada pela agência estatal Tasnim News, ocorre no quarto dia de confrontos diretos envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos.

O governo iraniano justificou a decisão como parte de um plano de contingência ativado desde o último sábado, priorizando o fornecimento de bens essenciais para a sua própria população enquanto o país se encontra em estado de guerra.

Impacto limitado no Brasil

Apesar da relevância do Irã no cenário global, a interrupção das vendas externas não deve afetar a segurança alimentar brasileira. O Brasil não importa itens essenciais da base alimentar iraniana.

As compras brasileiras vindas do país persa concentram-se em itens de nicho e produtos de alto valor agregado, como:

  • Frutas secas: especialmente uvas passas.
  • Nozes: com destaque para o pistache.

Segundo dados do sistema Comexstat (MDIC), em 2025 o Brasil importou cerca de US$ 11,8 milhões em produtos agropecuários do Irã — um volume considerado baixo dentro da balança comercial brasileira. O grosso desse valor (US$ 9,6 milhões) corresponde justamente ao grupo de frutas e nozes.

Vendas

O maior ponto de atenção não está no que o Brasil compra, mas no que ele vende. O Irã é um parceiro estratégico para o agronegócio nacional, e o fluxo comercial é amplamente favorável aos produtores brasileiros.

Em 2025, enquanto o Brasil importou pouco mais de US$ 11 milhões do Irã, as exportações brasileiras para o país somaram impressionantes US$ 2,9 bilhões.

Principais exportações brasileiras para o Irã (2025):

  • Milho: US$ 1,99 bilhão (9 milhões de toneladas).
  • Soja: US$ 563 milhões (1,37 milhão de toneladas).

A proibição anunciada por Teerã foca na saída de alimentos (exportação). No entanto, analistas de mercado monitoram se o conflito afetará a logística de entrada de grãos brasileiros no país, o que poderia impactar a receita dos exportadores de milho e soja no Brasil.

Radiografia do comércio bilateral: Brasil e Irã

O Irã é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, ocupando a 31ª posição no ranking global de parceiros. No ano passado, as trocas comerciais somaram US$ 3 bilhões.

  • Exportações brasileiras: o milho é o protagonista, representando 67,9% das vendas (US$ 1,9 bilhão), seguido pela soja (19,3%). Açúcares e farelo de soja também compõem a pauta.
  • Importações: embora mais modestas (US$ 84 milhões em 2025), são altamente concentradas: 79% do que o Brasil compra do Irã são fertilizantes e adubos.

No curto prazo, o impacto nas exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras, mas uma escalada duradoura exigirá que o Brasil reacomode sua estratégia de comércio exterior para evitar perdas em um de seus principais mercados no Oriente Médio.

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Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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