Guerra no Irã trava vinda de pistache e uva-passa para o Brasil; entenda a suspensão

Brasil não importa alimentos da cesta básica do país persa, mas mercado de ‘specialties’ e frutas secas deve sentir o impacto direto da medida de guerra

Pistache e uva-passa são principais importações do Brasil

A decisão do governo do Irã de suspender a exportação de todos os produtos agrícolas e alimentos, anunciada nesta terça-feira (3), terá reflexos diretos em nichos específicos do setor de alimentos no Brasil. De acordo com dados do Ministério da Agricultura e do Comex Stat, o Brasil não depende do Irã para itens essenciais, como grãos ou carnes, concentrando suas compras em produtos de alto valor agregado, conhecidos como specialties.

O governo iraniano justificou a decisão como parte de um plano de contingência ativado desde o último sábado (28), priorizando o fornecimento de bens essenciais para a sua própria população enquanto o país se encontra em estado de guerra.

Os grandes protagonistas da pauta de importação brasileira vinda de Teerã são o pistache e a uva-passa. Somente em 2025, o grupo de frutas e nozes (frescas ou secas) representou a ampla maioria das transações agropecuárias entre as duas nações, somando cerca de US$ 9,6 milhões.

Impacto no mercado de frutas secas e nozes

Embora o volume total não desequilibre a balança comercial brasileira, a suspensão preocupa importadores de produtos árabes e a indústria de panificação e confeitaria, que utiliza esses insumos em larga escala.

  • Pistache: o Irã é historicamente um dos maiores produtores mundiais. A interrupção pode forçar o Brasil a buscar fornecedores alternativos, como os Estados Unidos, o que pode elevar o preço final ao consumidor devido à variação cambial e custos logísticos.
  • Uva-passa: item recorrente na culinária nacional, a uva-passa iraniana tem forte penetração no mercado brasileiro por seu custo competitivo e qualidade.

Raio-X das compras brasileiras (2025)

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o perfil das importações é bem definido:

CategoriaVolume financeiroPeso aproximado
Frutas e nozes (pistache, passas, etc.)US$ 9,6 milhões1,9 mil toneladas
Frutas preservadas e preparaçõesUS$ 2,1 milhões224 toneladas
Matérias brutas de origem animalUS$ 71,6 mil11,5 toneladas

Vendas

O maior ponto de atenção não está no que o Brasil compra, mas no que ele vende. O Irã é um parceiro estratégico para o agronegócio nacional, e o fluxo comercial é amplamente favorável aos produtores brasileiros.

Em 2025, enquanto o Brasil importou pouco mais de US$ 11 milhões do Irã, as exportações brasileiras para o país somaram impressionantes US$ 2,9 bilhões.

Principais exportações brasileiras para o Irã (2025):

  • Milho: US$ 1,99 bilhão (9 milhões de toneladas).
  • Soja: US$ 563 milhões (1,37 milhão de toneladas).

A proibição anunciada por Teerã foca na saída de alimentos (exportação). No entanto, analistas de mercado monitoram se o conflito afetará a logística de entrada de grãos brasileiros no país, o que poderia impactar a receita dos exportadores de milho e soja no Brasil.

Leia também

Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

Ouvindo...