Brasil terá papel vital na segurança alimentar do Oriente Médio, diz secretário do MAPA

Ministério avalia que, apesar da alta nos custos de frete e insumos, demanda por produtos brasileiros deve seguir elevada na região

Colunas de fumaça se elevam após ataques com mísseis em Teerã, em 1º de março de 2026

A intensificação do conflito no Oriente Médio, marcada por ataques coordenados dos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos no último final de semana, colocou o comércio exterior brasileiro em estado de vigilância.

Apesar da incerteza, o governo federal acredita que o Brasil consolidará sua posição como fornecedor essencial de alimentos para a região, mesmo diante de um cenário de custos operacionais mais altos.

Em entrevista à CNN, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, destacou que o papel do país se torna ainda mais vital em momentos de crise.

“Precisamos ver ainda quais serão os desdobramentos, mas entendo que mesmo com custos transacionais eventualmente mais altos, o Brasil continuará sendo importante para apoiar na segurança alimentar. Aliás, nosso papel passa a ser ainda mais importante”, afirmou Rua.

Impacto nas rotas e nos custos de produção

A ofensiva militar, que resultou na morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, elevou a volatilidade nos preços do petróleo e acendeu o alerta sobre a segurança nas rotas marítimas do Golfo e do Mar Vermelho. Para o produtor rural brasileiro, o maior risco reside no bolso: o encarecimento da ureia.

    Como o Irã é um produtor de peso desse fertilizante nitrogenado — cuja fabricação depende diretamente do gás natural —, qualquer instabilidade na oferta global pressiona as margens de lucro das safras de milho e trigo no Brasil. O setor projeta que, embora não falte produto, o custo de importação deve subir acompanhando a energia.

    Peso do Oriente Médio na balança comercial

    Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) detalham a relevância da região para o agronegócio nacional. O mix de exportações para os países árabes e vizinhos é composto majoritariamente por:

    • Milho: 20,8%
    • Açúcares e melaços: 17,4%
    • Carnes de aves: 14,5%

    Radiografia do comércio com o Irã

    O Irã é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, ocupando a 31ª posição no ranking global de parceiros. No ano passado, as trocas comerciais somaram US$ 3 bilhões.

    • Exportações brasileiras: o milho é o protagonista, representando 67,9% das vendas (US$ 1,9 bilhão), seguido pela soja (19,3%). Açúcares e farelo de soja também compõem a pauta.
    • Importações: embora mais modestas (US$ 84 milhões em 2025), são altamente concentradas: 79% do que o Brasil compra do Irã são fertilizantes e adubos.

    No curto prazo, o impacto nas exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras, mas uma escalada duradoura exigirá que o Brasil reacomode sua estratégia de comércio exterior para evitar perdas em um de seus principais mercados no Oriente Médio.

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    Formada em jornalismo pelo Centro Universitário de Belo Horizonte (UniBH), Giullia Gurgel é repórter multimídia da Itatiaia. Atualmente escreve para as editorias de cidades, agro e saúde

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