A intensificação do conflito no Oriente Médio, marcada por
Apesar da incerteza, o governo federal acredita que o Brasil consolidará sua posição como fornecedor essencial de alimentos para a região, mesmo diante de um cenário de custos operacionais mais altos.
Em entrevista à CNN, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Luís Rua, destacou que o papel do país se torna ainda mais vital em momentos de crise.
“Precisamos ver ainda quais serão os desdobramentos, mas entendo que mesmo com custos transacionais eventualmente mais altos, o Brasil continuará sendo importante para apoiar na segurança alimentar. Aliás, nosso papel passa a ser ainda mais importante”, afirmou Rua.
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Impacto nas rotas e nos custos de produção
A ofensiva militar, que resultou na
Como o Irã é um produtor de peso desse fertilizante nitrogenado — cuja fabricação depende diretamente do gás natural —, qualquer instabilidade na oferta global pressiona as margens de lucro das safras de milho e trigo no Brasil. O setor projeta que, embora não falte produto, o custo de importação deve subir acompanhando a energia.
Peso do Oriente Médio na balança comercial
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) detalham a relevância da região para o agronegócio nacional. O mix de exportações para os países árabes e vizinhos é composto majoritariamente por:
- Milho: 20,8%
- Açúcares e melaços: 17,4%
- Carnes de aves: 14,5%
Radiografia do comércio com o Irã
O Irã é um parceiro comercial estratégico para o Brasil, ocupando a 31ª posição no ranking global de parceiros. No ano passado, as
- Exportações brasileiras: o milho é o protagonista, representando 67,9% das vendas (US$ 1,9 bilhão), seguido pela soja (19,3%). Açúcares e farelo de soja também compõem a pauta.
- Importações: embora mais modestas (US$ 84 milhões em 2025), são altamente concentradas: 79% do que o Brasil compra do Irã são fertilizantes e adubos.
No curto prazo, o impacto nas exportações de grãos é limitado pelo calendário das safras, mas uma escalada duradoura exigirá que o Brasil reacomode sua estratégia de comércio exterior para evitar perdas em um de seus principais mercados no Oriente Médio.