Operação contra o Master mirou fundos de investimento suspeitos e bloqueou R$ 5,7 bi

Fundos seriam usados para um esquema de desvios de recursos e compra de ativos de alto risco

Operação contra o Master foi realizada em Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro

A segunda fase da Operação Compliance Zero da Polícia Federal, contra a atuação do banco Master no Sistema Financeiro Nacional (SFN), mirou quatro fundos de investimento que estariam sendo usados para mascarar a fraude bancária na operação da instituição, nesta quarta-feira (14). Esses fundos participavam de um esquema para desvio de recursos e compra de ativos de alto risco.

A investigação aponta que o esquema era feito com empréstimos feitos pelo Master as empresas, que então aplicavam nos fundos suspeitos de fraude. Um dos fundos, inclusive, seria da gestora Reag, alvo de uma operação contra o Primeiro Comando da Capital (PCC) em setembro de 2025.

Um dos alvos da operação nesta quarta-feira é o empresário João Carlos Mansur, sócio-fundador da Reag e que deixou a gestão do grupo em setembro de 2025. A Itatiaia procurou a gestora para uma manifestação, mas ainda não houve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

A operação da Polícia Federal cumpriu 42 mandados de busca e apreensão, além de realizar o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. O empresário Daniel Vorcaro, dono do Master, também foi alvo novamente da operação. Em nota, a defesa afirma que ele colabora integralmente com as autoridades.

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“Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência. O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, disse.

Também foram alvos um cunhado de Vorcaro, preso temporariamente, e o empresário Nelson Tanure, que possui participação em dezenas de empresas. Os mandados foram cumpridos em Minas Gerais, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.

A operação é um complemento da primeira fase da Compliance Zero, deflagrada em novembro, contra o Master e o Banco Regional de Brasília. Na época, a Polícia Federal mirou um esquema de venda de carteiras de crédito falso do Master ao BRB, que tentou comprar o banco de Vorcaro. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

A investigação resultou na liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central, As apurações contra Vorcaro e seu banco começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos ao BRB e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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