PF marca novos depoimentos no caso Master

Polícia Federal vai ouvir outros executivos do Banco Master e do BRB sobre a fraude na venda de uma carteira de crédito de R$ 12 bilhões

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A Polícia Federal marcou uma nova rodada de depoimentos no caso da venda do Banco Master para o Banco Regional de Brasília (BRB). A previsão é que as oitivas ocorram no final de janeiro e início de fevereiro, com o objetivo de ouvir outros executivos das duas instituições financeiras.

Até o momento, foram ouvidos o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, que vai prestar um segundo depoimento, e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino. Dentre os depoimentos previstos estão o do ex-sócio do Master, Augusto Lima, e o do ex-diretor Luiz Antônio Bull. Também devem ser ouvidos o ex-diretor financeiro do BRB, Dario Oswaldo e o superintendente de operações do BRB, Robério Mangueira.

A PF investiga a participação de cada um dos envolvidos na venda de uma carteira de crédito falsa do Master ao BRB, por um valor estimado de R$ 12 bilhões. Durante seu depoimento, Vorcaro chegou a negar que tenha vendido os títulos e criticou a decisão do Banco Central em decretar a liquidação extrajudicial do seu conglomerado.

O Banco de Brasília chegou a tentar comprar o Master no início do ano. A transação ficou em análise pelo Banco Central desde março, até ser rejeitada em setembro. A autoridade monetária apontou riscos excessivos na operação, especialmente em relação aos ativos do Master, que não se alinhavam ao perfil do BRB e seus correntistas.

O BRB chegou a comprar R$ 12,7 bilhões em carteiras do Master que foram consideradas inconsistentes pela autoridade monetária. Com a venda nega, os bancos começaram a trocar esses ativos em uma operação que chegou em R$ 10,2 bilhões, faltando R$ 2,5 bilhões quando o Master foi fechado.

Daniel Vorcaro, o Master e o BRB foram alvos da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, no dia 18 de novembro. A ação teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

As apurações começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

*Com Estadão Conteúdo

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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