Sistema financeiro defende atuação do BC após pressões no caso Master

Banco Central vai passar por inspeção do Tribunal de Contas da União para investigar irregularidades na liquidação do Master

Copom é órgão do Banco Central

Um grupo de 11 entidades do Sistema Financeiro Nacional publicaram uma nova nota de apoio ao trabalho do Banco Central, nesta segunda-feira (5), frente às pressões que a autoridade monetária tem sofrido nos últimos meses desde que determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master.

No documento, as entidades afirmam que possuem “plena confiança” nas decisões do Banco Central no que tange a atuação da entidade nos âmbitos regulatórios e de fiscalização. Segundo a nota, o Banco Central exerce esses papeis de forma “exclusivamente técnica, prudente e vigilante”.

“É imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do Banco Central, de forma a manter um dos pilares fundamentais de qualquer sistema financeiro sólido, resiliente e íntegro”, disse a nota.

O documento é assinado por entidades que representam, em seu conjunto, um universo de 757 instituições financeiras e 689 cooperativas de crédito. Entre as entidades que assinam o documento estão a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) - veja mais abaixo as 11 entidades que assinam a nota conjunta.

Nesta segunda-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU), por meio do ministro Jhonatan de Jesus, determinou a inspeção do Banco Central na investigação do caso Master. Em despacho, o magistrado determinou que o processo ocorra de maneira presencial e com caráter de urgência, com o objetivo de reconstruir a decisão que levou o fechamento do conglomerado do empresário Daniel Vorcaro.

O Master e seu dono foram alvos da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, no dia 18 de novembro. A ação teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

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Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições objeto dos regimes especiais decretados”, disse o BC em nota.

Entidades que assinam a nota em defesa do BC

  • Fin - Confederação Nacional das Instituições Financeiras
  • ABBC - Associação Brasileira de Bancos
  • ABBI - Associação Brasileira de Bancos Internacionais
  • ABDE - Associação Brasileira de Ifs de Desenvolvimento
  • Abecs - Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços
  • Abracam - Associação Brasileira de Câmbio
  • Acrefi - Associação Nacional das Instituições de Crédito Financiamento e Investimento
  • Anbima - Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiros e de Capitais
  • Febraban - Federação Brasileira de Bancos
  • OCB - Organização das Cooperativas Brasileiras
  • Zetta - Associação que representa empresas do setor financeiro e de meios de pagamentos
Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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