TCU vai fazer inspeção no Banco Central para apurar liquidação do Master

Tribunal de Contas da União vai investigar o processo que levou ao fechamento do conglomerado do Banco Master

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O Tribunal de Contas da União (TCU) vai fazer uma inspeção no Banco Central (BC) para investigar o processo de liquidação do Banco Master, determinado pela autoridade monetária em novembro do ano passado. A informação foi confirmada pelo presidente da Corte, ministro Vital do Rêgo, à CNN Brasil, nesta sexta-feira (2)

A inspeção ocorre em um momento de pressão sobre o Banco Central. No final de 2025, o ministro Jonathan de Jesus cobrou explicações da autoridade monetária sobre o fechamento do conglomerado liderado pelo empresário Daniel Vorcaro. Na ocasião, o TCU foi provocado por uma representação do Ministério Público, que apontou para um “efeito cascata” da liquidação sobre agentes do Sistema Financeiro Nacional.

O temor do MP era efeitos negativos sobre credores e investidores depositantes, impondo um prejuízo relevante ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Jesus afirmou que a liquidação do banco pode ter sido uma ação “precipitada”.

Na resposta, o BC enviou uma linha do tempo detalhando todas as ações adotadas até o fechamento do banco. A estratégia foi demonstrar que a liquidação foi o desfecho de um “processo longo, técnico e documentado”, cumprindo integralmente o que é previsto na Lei, que obriga medidas alternativas de saneamento antes do fechamento de um banco.

Além dos questionamentos do magistrado, o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, precisou prestar depoimento à PF e chegou a ter a sua participação cogitada em uma acareação entre Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. O processo foi acompanhado pelo gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF).

O conglomerado do Master e Daniel Vorcaro foram alvos da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, no dia 18 de novembro. A ação teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicação às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis, a partir de hoje, os bens dos controladores e dos ex-administradores das instituições objeto dos regimes especiais decretados”, disse o BC em nota.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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