PGR barra redução de pena de ex-comandante preso por tentativa de golpe
Parecer aponta livros fora da lista oficial, falhas na comprovação de trabalho e uso de mesma obra para leitura e revisão como entraves ao benefício

A Procuradoria-Geral da República (PGR) recomendou nesta semana ao Supremo Tribunal Federal (STF) negar, por enquanto, a redução de pena do ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos, condenado por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A manifestação ocorre após o almirante ter lido livros, escrito resenhas e desempenhado atividades de trabalho na unidade onde está preso.
Na prática, o problema não foi falta de esforço, mas de cumprimento das regras.
Pela legislação brasileira, presos podem reduzir o tempo de pena por estudo ou trabalho. No caso da leitura, o benefício depende da produção de um relatório sobre a obra, que precisa ser validado dentro de critérios específicos. Só então a remição é concedida.
No caso de Garnier, segundo parecer do procurador-geral Paulo Gonet Branco, esse roteiro não foi seguido à risca.
Um dos principais pontos levantados é que os livros lidos pelo apenado não estavam na lista oficial exigida pelo governo do Distrito Federal, o que, por si só, já impede o reconhecimento do benefício.
Entre as obras lidas por Garnier estão “Vinho novo é melhor”, de Robert Thom; “O agir invisível de Deus” e “Como Deus transforma a tristeza em alegria”, ambas de Luciano Subirá; além de “A bordo do contratorpedeiro Barbacena”, de João Carlos Gonçalves Caminha.
Além disso, a PGR aponta falhas na comprovação do trabalho realizado, como a ausência de registros detalhados de frequência e supervisão - documentos necessários para validar a atividade.
Mas o ponto que mais chamou atenção foi outro: um mesmo livro acabou sendo usado para duas finalidades ao mesmo tempo - leitura e trabalho de revisão textual.
Para a PGR, isso pode gerar uma espécie de “atalho” indevido, com possibilidade de contar duas vezes o mesmo esforço para reduzir a pena, o que não é permitido pelas regras do sistema.
Diante desse conjunto de problemas, o órgão concluiu que, por ora, não há base legal para conceder o desconto na pena. Também recomendou que a Marinha ajuste o modelo adotado, garantindo que os próximos procedimentos sigam exatamente o que está previsto na legislação.
Garnier cumpre pena de 24 anos, em regime fechado, na Estação Rádio da Marinha, localizada em Santa Maria (DF).
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



