TCU suspende inspeção do BC no caso Master, e relator cita repercussão ‘desproporcional’

Ministro Jhonatan de Jesus aceitou recurso do Banco Central e enviou decisão da inspeção para o plenário do TCU

Master foi fechado pelo Banco Central ainda em novembro de 2025

O ministro Jhonatan de Jesus, do Tribunal de Contas da União (TCU), suspendeu a inspeção do Banco Central em relação à liquidação extrajudicial do Banco Master. Em despacho nesta quinta-feira (8), o magistrado reconheceu a repercussão negativa da condução do processo, classificando-a como “desproporcional”, e mandou o caso para o plenário da Corte.

Ele reconheceu um recurso de embargos de declaração protocolado pelo próprio Banco Central, que sustentava a suposta ausência de competência do TCU para determinar uma inspeção de maneira monocrática. A autoridade monetária argumentava que apenas as Câmaras poderiam aprovar a instauração de uma investigação em uma autarquia.

Segundo Jhonatan de Jesus, o argumento é uma “leitura restritiva de dispositivo regimental”. Porém, ele destacou que isso não impedia o tratamento processual do recurso do BC. Segundo ele, a inspeção foi determinada por uma proposta da unidade técnica especializada, fundada na “insuficiência” de esclarecimentos acompanhados por provas documentais da decisão que levou ao fechamento do Master.

“Sob o ângulo regimental, não procede a premissa — tal como posta nos embargos — de que a inspeção dependeria, necessariamente, de autorização exclusiva de órgão colegiado. O regimento interno contempla poderes instrutórios do Relator para determinar diligências e inspeções quando necessárias ao saneamento e à instrução do processo”, disse.

Assim, o magistrado citou a repercussão pública do caso como motivo para suspender a inspeção até que ela seja avaliada pelo plenário do TCU, como um recurso de estabilização institucional do processo.

A inspeção havia sido confirmada pelo relator na segunda-feira (5). No dia, ele afirmou que as explicações do BC sobre a liquidação do Master se limitaram à “exposição sintética de cronologia”, sem o acompanhamento de acervo documental. De acordo com o despacho, o processo deveria ser feito presencialmente, com caráter de urgência, em ambiente controlado e com cautelas de sigilo.

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O conglomerado do Master e seu dono, Daniel Vorcaro, foram alvos da operação Compliance Zero, da Polícia Federal, no dia 18 de novembro. A ação teve como objetivo combater a venda de títulos de créditos falsos pelo conglomerado de instituições do banco. Os títulos eram usados para alavancar sua capitalização, oferecendo taxas de juros em percentuais acima da média do mercado.

As apurações contra Vorcaro e o Master começaram em 2024, após uma requisição do Ministério Público Federal para apurar a possível fabricação de carteiras de crédito insubsistentes por uma instituição financeira. Esses títulos teriam sido vendidos a outro banco e, após fiscalização do Banco Central, substituídos por outros ativos sem avaliação técnica adequada.

Na época, o BC citou uma “grave crise de liquidez” do conglomerado, o que compromete significativamente a situação econômico-financeira, e citou “graves violações às normas que regem a atividade das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.

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