A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) avalia se um volume incomum de publicações nas redes sociais, registrado no fim de dezembro, pode caracterizar um ataque coordenado contra a entidade e contra o Banco Central, em meio ao noticiário sobre a
O movimento ganhou força após a Febraban divulgar, no dia 27 de dezembro, uma nota pública em defesa da atuação técnica do Banco Central no caso. No documento, assinado também por outras entidades do setor financeiro, a federação alertava para o risco de instabilidade no sistema bancário caso decisões técnicas do órgão regulador fossem enfraquecidas por pressões externas.
Segundo a Febraban, houve naquele período um pico atípico de postagens mencionando a entidade. Em nota, a federação informou que realiza monitoramento periódico das redes sociais com apoio de empresas especializadas e que agora analisa se esse aumento pode ser classificado como uma ação organizada. A entidade ressalta que esse acompanhamento é interno e não envolve monitoramento direcionado a autoridades ou a outras instituições.
A ofensiva digital também atinge diretamente dirigentes e técnicos do Banco Central envolvidos no processo que levou à liquidação do Banco Master. Levantamentos indicam que ao menos 46 perfis passaram a publicar conteúdos críticos de forma simultânea, muitos deles com informações consideradas distorcidas sobre a atuação do BC. Chama a atenção o fato de boa parte dessas páginas ser voltada a entretenimento, fofoca ou humor, sem histórico de abordagem de temas econômicos.
Entre os principais alvos está o ex-diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central, Renato Gomes, área responsável pelo parecer que recomendou o veto à compra do Banco Master pelo BRB, decisão adotada por unanimidade pelo colegiado do BC. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, e entidades representativas do setor bancário também passaram a ser citados nas publicações.
O aumento dos ataques ocorre em paralelo à intensificação da disputa jurídica envolvendo o caso, que chegou ao Supremo Tribunal Federal e ao Tribunal de Contas da União. O cenário se agravou às vésperas de uma acareação marcada pelo ministro Dias Toffoli, do STF, entre o controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e representantes do Banco Central. O diretor do BC acabou dispensado da acareação, mas prestou depoimento sobre o episódio.
Além das postagens, episódios anteriores de pressão também chamaram a atenção, como a exposição da imagem de Renato Gomes em outdoors espalhados por Brasília antes da decisão que barrou a venda do banco. Segundo relatos, a estratégia acabou fortalecendo a posição interna do BC em defesa da decisão técnica.
Diante do cenário, a Febraban e entidades que representam 757 instituições financeiras divulgaram, nesta semana, uma nova carta reafirmando confiança nas decisões do Banco Central, tanto no campo da regulação quanto da fiscalização. Procurados, o Banco Master e Daniel Vorcaro não se manifestaram.