Setor imobiliário aciona o STF contra aumento de mais de 300% em taxas cartoriais em MG

Ação apresentada no Supremo pede a suspensão de duas leis que, segundo o setor, tornaram Minas o estado com as taxas mais caras do Brasil

Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) acionou STF pela suspensão do reajuste de taxas cartoriais

A Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc) protocolou uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo Tribunal Federal (STF) pela suspensão de normas vigentes em Minas Gerais que teriam levado a um aumento médio de mais de 300% em taxas de cartório no estado. O pedido foi apresentado à Corte na segunda-feira (2) e o caso será relatado pelo ministro André Mendonça.

Na ação, a associação do mercado imobiliário contesta e pede a suspensão das Leis Estaduais nº 25.125/2024 e nº 25.367/2025, ambas oriundas de projetos apresentados na Assembleia Legislativa (ALMG) pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) que remodularam os valores de taxas cartoriais.

Segundo a Abrainc, o aumento médio para serviços cartoriais ultrapassou a marca de 300%, chegando a picos de 424% de reajuste positivo. Um estudo incluído na ação afirma que Minas Gerais se tornou o estado mais caro do Brasil no setor.

Na argumentação, a Abrainc afirma que as taxas perderam a sua natureza de contraprestação de serviços e se tornou uma ferramenta de arrecadação fiscal, o que configuraria um desvio de finalidade. A peça ainda aponta que até 40% da receita bruta das taxas é destinada a fundos do Ministério Público (MPMG), Defensoria Pública (DPMG) e Advocacia-Geral do Estado (AGE).

O setor imobiliário diz ainda que o aumento afeta o andamento de projetos já aprovados e ameaça o programa federal Minha Casa, Minha Vida por criar barreiras econômicas para famílias de baixa renda.

Além da medida cautelar urgente para suspender os efeitos das leis, a ação pede que o Supremo determine a inconstitucionalidade definitiva das normas. A ADI solicita que o governador Romeu Zema (Novo) e o presidente da Assembleia, Tadeu Martins Leite (MDB), adentrem no processo e prestem informações enquanto representantes das instituições que aprovaram e sancionaram a legislação.

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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