PT aciona STF para barrar decisões que relativizem proteção a menores de 14 anos

Partido pede liminar e quer tese nacional contra interpretações baseadas em consentimento ou vínculo afetivo

Edinho Silva, presidente nacional do PT

O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF), nesta segunda-feira (23), uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) para impedir decisões judiciais que, segundo a legenda, estariam flexibilizando a aplicação do crime de estupro de vulnerável quando a vítima tem menos de 14 anos. A ação pede uma decisão liminar urgente e, no julgamento final, a fixação de uma tese com efeito vinculante em todo o país.

De acordo com o partido, o objetivo é evitar interpretações que considerem elementos como consentimento, vínculo afetivo ou aceitação familiar para afastar a incidência do artigo 217 A do Código Penal. A sigla argumenta que a legislação estabelece um critério objetivo de idade e que a relativização desse parâmetro pode enfraquecer a proteção jurídica destinada a crianças e adolescentes.

A ADPF cita como referência um caso analisado por um órgão fracionário do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, envolvendo uma vítima de 12 anos. Na avaliação do PT, fundamentos utilizados na decisão teriam substituído o critério etário por avaliações subjetivas, o que geraria insegurança jurídica e risco de decisões divergentes no país.

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Na petição, o partido sustenta que a discussão tem caráter constitucional por envolver princípios como a dignidade da pessoa humana e a proteção integral da infância. O texto também afirma que eventual consentimento ou relacionamento afetivo não altera a configuração do crime quando a vítima é menor de 14 anos.

No pedido cautelar, o PT solicita que o STF determine que juízes e tribunais se abstenham de afastar a aplicação da norma com base em critérios subjetivos. Já no mérito, a legenda quer que a Corte estabeleça um entendimento nacional para uniformizar decisões sobre o tema.

Ainda não há data definida para análise do caso pelo Supremo. Se concedida, a liminar poderá orientar imediatamente a atuação do Judiciário até o julgamento definitivo da ação.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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