O diretor de Relações Intersindicais e Parlamentares do Sindicato dos Gestores e Auditores Fiscais do Estado de Minas Gerais (Sinfazfisco), Hugo René de Souza, contestou a justificativa do vice-governador Mateus Simões (PSD) para o relatório da Secretaria de Estado de Fazenda que aponta que Minas Gerais começou o ano de 2026 com déficit de R$ 11 bilhões e a pior situação fiscal do Brasil.
O vice-governador disse à Itatiaia que o fato de o IPVA em Minas não ser mais pago em janeiro alterou o fluxo de caixa. A partir deste ano, a cobrança começa em fevereiro, embora a antecipação continue sendo opcional. O projeto de lei que adiou o vencimento para o segundo mês do ano foi aprovado pela Assembleia Legislativa em 2024.
No entanto, segundo o diretor sindical, essa mudança não impacta o caixa de janeiro. “O relatório de gestão fiscal é feito quadrimestralmente. Assim, o último relatório mostra um déficit de caixa do Estado de Minas Gerais. Apesar de ter sido publicado no dia 30 de janeiro, ele se refere ao exercício anterior, ou seja, aos números até 31 de dezembro de 2025. Dito isso, o IPVA, que ainda não entrou nos cofres do Estado, não interferiria em absolutamente nada no relatório, assim como as despesas realizadas a partir de janeiro”, afirma René.
Ainda segundo Simões, o ICMS não está evoluindo como esperado. De acordo com o vice-governador, os números atuais estão quase 2% abaixo do previsto. Já, segundo o Sinfazfisco, os dados do Imposto sobre Circulação de Mercadorias mostram o contrário. “Em relação ao ICMS, houve aumento na arrecadação geral do Estado, que passou de R$ 103,3 bilhões para R$ 111,2 bilhões, ou seja, um crescimento nominal de R$ 7,875 bilhões em relação a 2024”, afirma.
“Se considerarmos exclusivamente o ICMS, também houve aumento na arrecadação, que passou de R$ 80,5 bilhões para R$ 86,6 bilhões, mais de R$ 6 bilhões de crescimento, com variação positiva de 7,52%”, complementa.