Preso na Papudinha, Bolsonaro recebeu por lá apenas visitas de familiares até agora

Pedidos de visita feitos por autoridades têm de passar pela análise de Moraes; ministro já autorizou a entrada de Tarcísio de Freitas e de outros políticos

Bolsonaro está há uma semana preso na Papudinha

Após completar uma semana preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu até agora apenas visitas de familiares.

Na decisão que determinou a transferência de Bolsonaro para a unidade, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu que as visitas sigam as regras do local, que permitem entrada de visitantes somente às quartas e quintas-feiras.

Bolsonaro foi transferido para a Papudinha na última quinta-feira (19). Antes, ele cumpria a pena de 27 anos de prisão, imposta pela Primeira Turma do STF no processo da trama golpista, na Superintendência da Polícia Federal (PF), em Brasília. O ex-presidente está preso desde 22 de novembro.

Além disso, Moraes definiu que, com exceção de médicos, advogados, filhos do ex-presidente e da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, qualquer outra visita depende de autorização prévia do STF.

Diante disso, a defesa de Bolsonaro protocolou pedidos para liberar a entrada de aliados políticos e outras pessoas.

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Pedidos autorizados

Até o momento, Moraes autorizou a visita de três pessoas ao ex-presidente. Entre elas, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). No entanto, Tarcísio desistiu da visita e alegou compromissos oficiais na data fixada pelo STF.

Também foram autorizadas as visitas de Diego Torres Dourado, cunhado de Bolsonaro, no dia 28 de janeiro, e do pecuarista Bruno Scheid, vice-presidente do PL em Rondônia, no dia 29.

A primeira visita de alguém que não pertence à família seria a de Tarcísio, marcada para quinta-feira (22), mas acabou não sendo realizada.

Pedidos em análise

A defesa do ex-presidente aguarda resposta de Moraes sobre o pedido para autorizar a visita do líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN).

A expectativa é que o ministro siga o mesmo padrão adotado em decisões anteriores, autorizando a visita e definindo data e horário.

Aliado de longa data do ex-presidente, Marinho foi ministro do Desenvolvimento Regional durante a gestão de Bolsonaro. Em 2022, foi eleito senador pelo estado de Natal e cumpre mandato de oito anos.

Auxílio religioso

Na decisão que determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, Moraes também autorizou a prestação de auxílio religioso uma vez por semana.

Foram liberadas as visitas do bispo Robson Rodovalho, presidente da igreja Sara Nossa Terra, e do deputado distrital Thiago Manzoni (PL). Esse tipo de assistência, no entanto, não segue as mesmas regras das visitas comuns.

Em entrevista à rádio Itatiaia, Robson Rodovalho afirmou que espera iniciar o atendimento espiritual a Bolsonaro na próxima segunda-feira (26). O bispo afirmou que ainda aguarda uma normatização do STF para saber quais atividades serão permitidas durante o aconselhamento religioso.

O bispo quer esclarecer se poderá utilizar instrumentos musicais durante a leitura de trechos da Bíblia.

Decisão de Moraes

Na decisão que determinou a transferência de Bolsonaro para a Papudinha, Moraes destacou que a mudança proporcionaria melhores condições de custódia, inclusive maior facilidade para a realização de visitas.

O ministro afirmou que, na unidade, as visitas reservadas ocorrem sem a presença de outros presos e que há ampliação do tempo destinado a encontros familiares, além da possibilidade de banho de sol e prática de exercícios físicos em diferentes horários do dia.

Segundo a decisão, o espaço destinado a visitas e atendimentos de advogados e médicos é amplo, com áreas cobertas e externas, equipadas com mesas e cadeiras. As visitas podem ocorrer às quartas e quintas-feiras, em três faixas de horário: das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h.

Moraes também autorizou visitas semanais permanentes da esposa Michelle Bolsonaro, dos filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura Bolsonaro, além da enteada Letícia Marianna Firmo da Silva, sempre respeitando os dias e horários estabelecidos pela unidade prisional.

Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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