Robson Rodovalho, bispo autorizado pelo STF diz que missão é ‘tirar Bolsonaro do abismo’

Líder da igreja Sara Nossa Terra evitou assumir apoio eleitoral ao filho do ex-presidente, Flávio Bolsonaro

Jair Bolsonaro e o bispo Robson Rodovalho

Em entrevista exclusiva à Rádio Itatiaia, nesta segunda-feira (19), o bispo Robson Rodovalho, líder da Igreja Sara Nossa Terra, afirmou que a assistência religiosa ao ex-presidente Jair Bolsonaro terá como principal objetivo ajudá-lo a sair do que classificou como um “abismo” emocional e psicológico.

Rodovalho foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a visitar Bolsonaro uma vez por semana, por uma hora, para acompanhamento religioso. Segundo o bispo, o trabalho será voltado ao fortalecimento da fé, da saúde mental e da força interior do ex-presidente, que ele descreve como fragilizado.

O líder religioso relatou que esteve com Bolsonaro em dezembro, antes da prisão, e encontrou um quadro preocupante. Disse que o ex-presidente estava abatido, sem dormir, sem se alimentar e sob efeito de medicação para conseguir conversar. Para Rodovalho, o risco maior é a perda da estabilidade emocional, que pode levar ao agravamento de problemas físicos: “Quando a pessoa perde a mente, no sentido de depressão, negativismo e pessimismo, acabou. Nós temos que tirar ele desse abismo”, afirmou à Itatiaia.

O bispo disse que conhece Bolsonaro há quase 20 anos. Entre 2006 e 2010, quando foi deputado federal pelo Distrito Federal, criou a Frente Parlamentar da Família ao lado do senador Magno Malta. Na época, Bolsonaro também era deputado e participava ativamente das discussões. Segundo Rodovalho, a amizade se manteve ao longo dos anos, com encontros, orações e participação em cultos.

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Os atendimentos religiosos ainda não têm data confirmada para começar. De acordo com o bispo, os encontros podem ter início já nesta sexta-feira (23) ou na próxima sexta-feira (30), a depender de ajustes que ainda estão sendo discutidos com Michelle Bolsonaro. Ele afirmou que ainda não recebeu orientações detalhadas sobre eventuais restrições impostas pelo STF quanto ao conteúdo das conversas ou aos objetos que poderá levar durante as visitas.

Além de Rodovalho, o Supremo também autorizou o deputado distrital Thiago Manzoni (PL-DF), pastor da igreja IDE Brasília, a prestar assistência religiosa a Bolsonaro. O bispo afirmou conhecer Manzoni e disse que mantém uma relação de amizade com ele.

Questionado pela Itatiaia sobre um possível apoio a Flávio Bolsonaro, pré-candidato nas próximas eleições, Rodovalho evitou assumir qualquer compromisso político. Disse se posicionar à direita e defender a união do campo conservador, mas afirmou que ainda não há definições sobre chapas ou apoios. Segundo ele, neste momento, a prioridade não é eleitoral.

“O importante agora é ajudar o presidente. Ele precisa de fé, de força interior e de uma mente forte”, afirmou.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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