Deputado do PT aciona PGR contra Campos Neto por suposta omissão no caso Master

Lindbergh Farias solicita à PGR apuração sobre possível falha na supervisão do Banco Central durante gestão do ex-presidente da instituição

O deputado federal, deputado Lindbergh Farias

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) anunciou que vai apresentar uma notícia-crime à Procuradoria-Geral da República (PGR) para investigar o possível envolvimento do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, no caso envolvendo o Banco Master e seu controlador, o banqueiro Daniel Vorcaro.

A iniciativa ocorre após novos desdobramentos da terceira fase da Operação Compliance Zero. Segundo o parlamentar, mensagens apreendidas no celular de Vorcaro indicariam a existência de uma estrutura organizada de intimidação e violência contra jornalistas. Para Lindbergh, os elementos reforçam a necessidade de ampliar o foco das investigações para alcançar a atuação de autoridades do sistema financeiro.

O deputado afirma que já havia solicitado apuração sobre o caso em abril de 2025, quando houve a tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). À época, ele encaminhou um pedido à Comissão de Ética da Presidência da República diante de indícios de irregularidades.

Com as novas informações, Lindbergh sustenta que há sinais de possível interferência indevida na supervisão bancária. Ele cita a atuação de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, apontados como chefe e adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, que teriam mantido interlocução frequente com o controlador do banco.

Na avaliação do parlamentar, o cenário pode indicar captura da atividade regulatória por interesses privados. Por isso, ele defende que a investigação também alcance a conduta do então presidente do Banco Central à época dos fatos.

No documento encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Lindbergh pede a abertura de procedimento investigatório e a remessa do caso à PGR. A solicitação inclui a oitiva de Roberto Campos Neto e de servidores do Banco Central, além do acesso a documentos internos da instituição.

O deputado sustenta que houve possível omissão na fiscalização do Banco Master, que entrou em crise após fraudes bilionárias em operações envolvendo precatórios judiciais. A instituição acabou sendo submetida à liquidação extrajudicial pelo Banco Central em 2024.

Leia também

A notícia-crime também questiona uma resolução editada em 2018 pelo Conselho Monetário Nacional durante a gestão de Campos Neto no Banco Central. Segundo Lindbergh, a norma teria reduzido fatores de ponderação de risco e facilitado práticas que contribuíram para irregularidades no sistema financeiro.

Do ponto de vista jurídico, o parlamentar argumenta que o ex-presidente do Banco Central ocupava posição de garantia institucional e poderia ser responsabilizado por eventual omissão diante de riscos previsíveis. O documento também menciona que Campos Neto firmou, em novembro de 2025, um termo de compromisso no valor de R$ 300 mil para encerrar um processo administrativo no próprio Banco Central.

Para Lindbergh, a apuração precisa ser conduzida por órgãos externos para garantir independência. Ele afirma que a investigação deve esclarecer responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais falhas de supervisão que possam ter contribuído para a crise envolvendo o Banco Master.

Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

Ouvindo...