‘Sicário’ de Vorcaro passa por exame toxicológico em meio a protocolo de morte encefálica

Luiz Phillipi Mourão, o ‘Sicário’, está internado na UTI do Hospital João XXIII após tentar se enforcar enquanto estava sob custódia da Polícia Federal em Minas Gerais

Mourão, ‘sicário’ de Daniel Vorcaro, está internado na UTI do Hospital João XXIII

Ainda em protocolo de morte encefálica no Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, de 43 anos, foi submetido a exame toxicológico nesta quinta-feira (5).

Este exame visa esclarecer se o investigado ingeriu drogas, substâncias psicoativas ou sofreu intoxicação aguda antes e durante o período em que ficou sob a custódia da Polícia Federal, na capital mineira.

  • Exame de Cabelo/Pelo (Larga Janela): É o método mais comum e eficaz para detectar o uso de drogas e substâncias psicoativas nos últimos 90 a 180 dias. É exigido para CNH (categorias C, D, E), concursos e exames admissionais;
  • Exame de Sangue: Mais utilizado em situações de emergência para intoxicação aguda, pois mede a quantidade de substância presente no corpo naquele exato momento.
  • Exame de Urina: Identifica substâncias consumidas recentemente (geralmente nos últimos dias), útil para rastreio rápido de drogas de abuso

Sicário teria atentado contra a própria vida

Apontado nas investigações da Polícia Federal como um líder de equipe de capangas que trabalhavam para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, ‘Sicário’ foi preso na manhã de quarta-feira (4), na capital mineira, na esteira da operação Compliance Zero. Na cela da Superintendência da Polícia Federal de Minas Gerais, Mourão teria tentado se enforcar com a própria camisa, conforme adiantou a Itatiaia.

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão chegou a ser socorrido por agentes da PF, que realizaram manobras de reanimação por cerca de 30 minutos. Em seguida, ele foi levado pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) ao Hospital João XXIII.

A chegada a unidade de saúde ocorreu às 17h56 de quarta-feira (4). Inicialmente, Mourão foi encaminhado para a sala de politrauma, onde passou por uma bateria de exames, etapa que marcou a finalização dos primeiros procedimentos médicos. Em seguida, foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), localizada no térreo do hospital - escolha feita por ser uma área mais restrita e com menor circulação de pessoas. Durante todo o atendimento, o paciente permaneceu sob forte escolta policial.

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Oficialmente, a Polícia Federal não confirmou a morte cerebral de Sicário. O último comunicado da instituição foi às 16h55 de quarta-feira (4), quando informou que Luiz Phillipi Mourão tentou tirar a própria vida.

A PF acrescentou que comunicou o ocorrido ao gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso. Segundo a corporação, os registros em vídeo que mostram a dinâmica do episódio serão encaminhados ao ministro. A corporação também informou que abrirá um procedimento para apurar as circunstâncias da ocorrência.

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‘Sicário’ de Vorcaro

Mourão havia sido preso na operação realizada nesta quarta-feira (4) por ordem do ministro André Mendonça. Ele era investigado por atuar no monitoramento de adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, e por planejar ações violentas contra pessoas consideradas desafetas do empresário.

Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça descreveu Mourão como responsável por atividades de obtenção de informações sigilosas, vigilância de alvos e “neutralização de situações sensíveis aos interesses do grupo investigado”. Segundo as investigações, ele recebia pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão.

As apurações também citam mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que havia publicado reportagens críticas ao banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro sugere que o jornalista fosse seguido. Em outra, afirma que queria que ele fosse agredido em um suposto assalto.

A Polícia Federal investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de Justiça.

Conforme a investigação, o grupo coordenado por Mourão - identificado nas comunicações como “Sicário” - seria responsável por organizar uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e à obtenção de informações sensíveis.

O que diz a defesa?

Segundo a defesa de Luiz Phillipi Mourão, assinada pelo advogado Robson Lucas da Silva, ele e o cliente mantiveram contato ao longo desta quarta-feira até cerca de 14h. De acordo com a nota, naquele momento ele estava lúcido, orientado e sem sinais aparentes de comprometimento de suas condições físicas ou psíquicas.

A defesa afirma que só tomou conhecimento do incidente posteriormente, após a divulgação de uma nota atribuída à Polícia Federal que mencionava uma possível tentativa de autoextermínio, durante a tarde.

Os advogados informaram ainda que estão no Hospital João XXIII acompanhando o caso e buscando informações oficiais junto às autoridades e à equipe médica.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
Jornalista pela UFMG, Lucas Negrisoli é editor de política. Tem experiência em coberturas de política, economia, tecnologia e trends. Tem passagens como repórter pelo jornal O Tempo e como editor pelo portal BHAZ. Foi agraciado com o prêmio CDL/BH em 2024.
Gerente de Jornalismo e Esporte Digital da Itatiaia. Construiu sua carreira no jornalismo online, desde 2000. Grande experiência como repórter, editor-chefe e coordenador. Na Itatiaia, ajudou a criar o projeto digital Itatiaia Esporte (portal e redes). Antes, passou por Superesportes, Estado de Minas, TV Alterosa, Veja BH e Canal 23.
Repórter no portal da Itatiaia. Formado em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

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