Lula defende ampliação de poder do Brics dentro do Fundo Monetário Internacional

Em segundo discurso transmitido durante cúpula, presidente criticou concentração de renda e governança internacional nas mãos dos países mais Brics

Lula no Brics

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, durante o segundo discurso transmitido na Cúpula do Brics, neste domingo (6), a ampliação do poder do Brincs na governança do Fundo Monetário Internacional.

“Através da visão sobre reforma do FMI, vamos engajar mais países na 17ª Revisão Geral de Cotas no Fundo. O Brasil apoia um processo de realinhamento de cotas inclusivo com fórmula de cálculo simples, equilibrado e transparente. Mesmo nos termos atuais, as distorções são inegáveis. Para fazer jus ao nosso peso econômico, o poder de voto dos membros do BRICS no FMI deveria corresponder pelo menos a 25% e não aos 18% que detemos atualmente”, explicou.

Ao anunciar o aumento da carta de países atendidos pelo Novo Banco de Desenvolvimento, Lula disse que o Banco do Brics está dando exemplo para outras instituições financeiras internacionais. “Os arranjos desenhados do pós-guerra (2ª Guerra Mundial) insistem em falhar, o novo Banco do Desenvolvimento dá uma lição de governança. O ingresso da Argélia e o processo de adesão da Colômbia, o Bisquitão, o Peru e todos os demais que a companheira Dilma Rousseff anunciou, atestam a capacidade do Banco de oferecer financiamento para a transição justa e soberana.

O petista também foi enfático ao criticar o protecionismo. Sem citar que a resistência de países da União Europeia com a competitividade da agricultura brasileira trava a assinatura do acordo com o Mercosul, Lula mandou um recado, que também atingiu indiretamente o presidente Donald Trump que, para proteger a economia americana, aumentou tarifas de importação para parcerios comerciais.

“A reforma da Organização Mundial do Comércio é outro eixo de ação imprescindível e urgente. Não será possível restabelecer a confiança no Organização Muncial do Comércio sem promover um equilíbrio justo de obrigações e direitos que reflita adequadamente os interesses de todos os seus membros. Precisamos destravar as negociações agrícolas e estabelecer um novo Pacto sobre o Comércio e Clima que distinga políticas ambientais legítimas de protecionismo disfarçado”, ressaltou.

Os posicionamentos do presidente brasileiro se encaixam no eixo de reforma da governança global, uma das prioridades de Lula na gestão de blocos internacionais.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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