A Corte de Apelação de Roma analisa, nesta quarta-feira (11), o pedido formal do governo brasileiro para que a ex-deputada federal Carla Zambelli seja entregue às autoridades do Brasil. A parlamentar está custodiada na penitenciária feminina de Rebibbia, na capital italiana, desde junho do ano passado.
O julgamento ocorre após uma sequência de quatro adiamentos e em meio à expectativa de que a decisão possa determinar o retorno da ex-parlamentar ao país de origem. A expectativa da defesa da deputada é de que cenário é desfavorável, e portanto, pode apresentar recurso caso a extradição seja autorizada.
Na véspera da análise, o mesmo tribunal rejeitou uma tentativa dos advogados de substituir os magistrados responsáveis pelo caso. A defesa alegou suposta falta de imparcialidade dos juízes, argumento que não foi acolhido pela Corte.
Zambelli responde a duas condenações definitivas no Brasil. Em um dos processos, foi sentenciada a 10 anos e 8 meses de prisão sob acusação de ser mentora da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em outro, recebeu pena de 5 anos e 3 meses por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, episódio relacionado à perseguição armada a um homem nas ruas de São Paulo, às vésperas das eleições de 2022.
Após a condenação ligada ao caso do CNJ, Zambelli deixou o Brasil e fugiu para a Itália. A saída do país motivou a Procuradoria-Geral da República a solicitar sua prisão preventiva. O pedido foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que também determinou a inclusão do nome da ex-deputada na difusão vermelha da Interpol - mecanismo internacional para localização de foragidos.
A prisão de Zambelli ocorreu em 29 de julho de 2025, em um apartamento na cidade de Roma. Ao justificar a medida, a Justiça italiana apontou risco concreto de fuga.
Sem mandato
Enquanto a extradição é analisada no exterior, no Brasil o caso também teve repercussões no âmbito político. Em dezembro de 2025, o STF anulou uma votação da Câmara dos Deputados que havia barrado a cassação do mandato da parlamentar. Antes que o novo desfecho fosse formalizado, Zambelli renunciou ao cargo.