Justiça cassa vereadora mineira por esquema de compra de votos com o filho

De acordo com a sentença, a parlamentar oferecia entre R$ 50 e R$ 100 aos eleitores em troca de um comprovante de votação

A vereadora ainda pode recorrer da decisão da Justiça Eleitoral.

A Justiça Eleitoral determinou a cassação do mandato da vereadora Ivanete de Fátima Dias Silva, conhecida como Ivanete Mãe do Wellitin (Mobiliza), eleita em Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, por compra de votos durante as eleições municipais de 2024.

De acordo com a sentença, a parlamentar teria oferecido de R$ 50 a R$ 100 aos eleitores em troca de um comprovante de votação.

O esquema ilegal também teria contado com a participação do filho dela, Welligton Adriano Silva Júnior, conhecido como Wellitin no município. Ele não podia se candidatar por estar com os direitos políticos suspensos.

A decisão ainda cabe recurso, mas a juíza Fernanda Campos de Lana Alves, da 108ª Zona Eleitoral, determinou, além da perda do mandato, a aplicação de multa de R$ 37 mil.

O prefeito de Esmeraldas, Marcelo Nonato Figueiredo (Solidariedade), e o vice-prefeito Gustavo Henrique Machado de Oliveira, conhecido como Gustavo do Dedé (Mobiliza), que também eram acusados de serem beneficiados pelo suposto esquema criminoso, foram absolvidos por falta de provas.

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O Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou, em dezembro de 2024, uma ação contra a vereadora, o prefeito, o vice-prefeito e o filho de Ivanete. A promotoria se baseou em três procedimentos investigatórios, incluindo um inquérito policial que apontava a captação ilícita de sufrágio no dia 6 de outubro, data das eleições.

De acordo com a peça do MPE, o filho da vereadora seria o responsável por pagar eleitores que adesivassem veículos com propaganda eleitoral da mãe e também publicassem mensagens de apoio a ela nas redes sociais.

No dia da votação, policiais constataram grande fluxo de pessoas entrando e saindo de uma residência no Centro da cidade.

No local, foram apreendidos materiais de campanha e mensagens que indicavam a negociação de votos.

Para a negociação, era usado dinheiro em espécie. Entre julho e outubro de 2024, a vereadora movimentou cerca de R$ 530 mil, incluindo saques em dinheiro que chegavam a valores próximos de R$ 40 mil — considerados, pela Justiça, incompatíveis com a renda declarada de Ivanete.

A Itatiaia tenta contato com a defesa da vereadora, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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