O ministro da Secretaria-Geral da Presidência,
Guilherme Boulos (PSOL), disse nesta quarta-feira (21) que o
Congresso Nacional deve votar a
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala 6x1 — seis dias de trabalho e apenas um de descanso — ainda neste semestre.
Em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, Boulos afirmou que o debate em torno do texto avançou nas conversas com o Legislativo. De acordo com ele, o assunto já foi discutido com o presidente da Câmara dos Deputados,
Hugo Motta (Republicanos-PB), e com o ministro do Trabalho,
Luiz Marinho. “Direito do trabalhador é um tema inegociável para o presidente Lula (PT). O empresário vai resistir? Lógico. Ele quer aumentar seu lucro. Se depender dele [do empresário], a escala seria até 7x0, nem seria 6x1. Então nós vamos levar o tema até o final”, afirmou.
A pauta tem sido tratada como prioridade pelo governo Lula.
Na mensagem de Natal de 2025, o presidente afirmou que o fim da escala 6x1, sem redução salarial, é uma “demanda do povo brasileiro” e reforçou a urgência de que o tema seja resolvido ainda em 2026. “Minhas amigas e meus amigos, seguiremos combatendo o privilégio de poucos para garantir o direito de muitos. E nenhum direito é tão urgente hoje quanto o direito ao tempo”, disse.
A expectativa, segundo o ministro, é reduzir a jornada para cinco dias de trabalho e dois de descanso, abandonando a ideia inicial da PEC, que previa apenas quatro dias de jornada. “O poder de lobby, o poder de fogo dos grandes empresários e de quem ganha com a exploração do trabalho é gigantesco neste país. É muita grana, é muita gente herdeira que fica defendendo a escala 6x1 para os outros, mas está lá no jantar com caviar e champanhe”, declarou.
Ainda na entrevista, Boulos descartou a possibilidade de um colapso na economia e no mercado de trabalho caso a proposta se torne efetiva. Ele defendeu um modelo de transição e adaptação da jornada de trabalho para que a mudança não afete os pequenos empreendedores. “Os grandes empresários resistem assim como resistem a qualquer direito do trabalhador, assim como os latifundiários do século XIX resistiram à
Lei Áurea. Se dependesse deles, haveria escravidão até hoje. Quando Getúlio Vargas criou o salário mínimo, também foi dito que seria o caos, que as empresas iriam embora do Brasil. A mesma coisa ocorreu com o décimo terceiro, férias remuneradas e a jornada de oito horas: disseram que o país iria acabar e que iria gerar desemprego”, afirmou.