A saída de Lindbergh Farias da liderança do PT na Câmara dos Deputados marca mais do que uma troca de nomes no colégio de líderes. Nos bastidores, a mudança é lida como um ajuste fino do partido para atravessar o ano eleitoral de 2026 com menos atritos internos e maior previsibilidade na relação com a Presidência da Casa.
Lindbergh deixa o posto após um ano de embates frequentes com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). Em 2025, o petista foi um dos principais críticos da condução da Casa e protagonizou confrontos públicos que chegaram a gerar ruídos na relação institucional entre o PT e o comando da Câmara. Apesar de aliados afirmarem que o diálogo foi recomposto, a avaliação interna é de que o desgaste já estava dado.
A partir de 2 de fevereiro, a liderança do PT passa para o deputado Pedro Uczai (SC), nome de perfil mais discreto e considerado conciliador. Parlamentares do PT avaliam que, em um ano marcado pelo início das articulações para 2026, o partido não pode se dar ao luxo de ampliar frentes de conflito dentro da Câmara. A troca atende tanto a uma demanda interna da bancada quanto a um movimento de descompressão na relação com Hugo Motta e líderes do Centrão.
Apesar da mudança na liderança partidária, a articulação do governo seguirá sob comando de José Guimarães (PT-CE). Com trânsito consolidado entre diferentes partidos e perfil pragmático, Guimarães segue como principal ponte entre o Planalto e o Legislativo, função que exerce desde o início do terceiro mandato de Lula.