Durante um evento do
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), em Salvador, na última sexta-feira (23), o
presidente Lula (PT) voltou a manifestar insatisfação com a
operação militar dos Estados Unidos que resultou na prisão do líder da Venezuela, Nicolás Maduro, no início deste mês.
“
Maduro sabia que havia 15 mil soldados americanos no mar do Caribe. Ele sabia que, todos os dias, existia uma ameaça. Ou seja, os caras entraram à noite, foram até um forte — que é um quartel — onde morava o Maduro e o levaram embora”.
— relatou o presidente.
Anteriormente,
Lula já havia questionado as operações do governo de Donald Trump, em um momento em que o
Brasil tenta retomar boas relações diplomáticas bilaterais com os Estados Unidos. Na última sexta-feira, o presidente voltou a falar sobre o desrespeito à integridade territorial venezuelana e defendeu a
soberania da América Latina como uma região “pacífica”. “Como é possível a falta de respeito à integridade territorial de um país? Não existe isso na América do Sul. Aqui é um território de paz”, afirmou.
No início do evento do qual Lula participou, militantes do MST denunciaram o que chamaram de “sequestro” de Maduro e de sua esposa,
Cilia Flores.
O casal foi capturado por militares dos Estados Unidos no dia 3 de janeiro, durante uma operação noturna em
Caracas. Ambos foram levados para Nova York, onde seguem presos pelas autoridades norte-americanas.
As acusações às quais Maduro responde na Justiça dos EUA incluem
narcoterrorismo,
tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. Inicialmente, ele chegou a ser acusado de liderar o chamado
Cartel de los Soles, organização classificada como terrorista pela Casa Branca. Trump, no entanto, recuou dessa acusação, passando a responsabilizar o venezuelano por “participar, proteger e perpetuar uma cultura de corrupção e enriquecimento a partir do tráfico de drogas”.
As penas pelos crimes dos quais Maduro é acusado variam de 20 anos de prisão até prisão perpétua, conforme previsto pela legislação dos Estados Unidos. Em audiência realizada no dia 5 de janeiro, em Nova York, o líder venezuelano se declarou inocente de todas as acusações.
Além do Brasil, outros países — entre eles Chile, Colômbia, México, Uruguai e Espanha — condenaram a operação e pediram respeito à soberania dos povos e de seus respectivos territórios.