EUA recuam de acusação de que Maduro chefiava cartel de drogas

Mudança ocorreu após a captura do líder venezuelano por militares norte-americanos, em Caracas, no último fim de semana

Ataque do governo de Donald Trump em Caracas resultou na captura de Maduro

O governo dos Estados Unidos recuou da acusação de que Nicolás Maduro chefiava um cartel de drogas conhecido como Cartel de los Soles. A mudança ocorreu após a captura do líder venezuelano por militares norte-americanos, em Caracas, no último fim de semana. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times e confirmada pela CNN Brasil.

Após a prisão de Maduro, o Departamento de Justiça dos EUA atualizou a denúncia apresentada contra o venezuelano. Ele segue acusado de conspiração para o tráfico de drogas pelo governo do presidente Donald Trump, mas foi retirada a alegação de que o Cartel de los Soles funcionaria como uma organização criminosa formal sob sua liderança.

Na versão revisada, os promotores passaram a caracterizar o esquema como um “sistema de clientelismo” e uma “cultura de corrupção” sustentados por recursos do narcotráfico, em vez de um cartel estruturado nos moldes de grupos criminosos da Colômbia ou do México.

A acusação anterior, apresentada inicialmente em 2020, descrevia Maduro explicitamente como líder do Cartel de los Soles e afirmava que ele e outros integrantes teriam corrompido instituições do Estado venezuelano para facilitar o envio de toneladas de cocaína aos Estados Unidos. O texto citava o envolvimento de setores das Forças Armadas, do serviço de inteligência, do Legislativo e do Judiciário.

“Desde pelo menos 1999, Maduro Moros, Cabello Rondón, Carvajal Barrios e Alcalá Cordones atuavam como líderes e gestores do Cartel de los Soles”, dizia a versão anterior da acusação, que afirmava ainda que o grupo buscava enriquecer seus membros, ampliar seu poder e “inundar os Estados Unidos com cocaína”.

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Já o documento atualizado, divulgado em 3 de dezembro, sustenta que Maduro e seu antecessor, Hugo Chávez, participaram e protegeram uma “cultura de corrupção” na qual elites venezuelanas se beneficiariam do narcotráfico e da proteção a traficantes.

Segundo os promotores, os lucros da atividade ilegal seriam distribuídos entre funcionários civis, militares e agentes de inteligência dentro de um sistema de clientelismo controlado pelas cúpulas do poder, referido genericamente como Cartel de los Soles — em alusão à insígnia presente nos uniformes de oficiais militares venezuelanos de alta patente.

Especialistas já vinham questionando a caracterização do Cartel de los Soles como uma organização criminosa formal e consideravam exagerada a afirmação de que Maduro o liderasse diretamente, embora apontem possíveis vínculos de integrantes do governo venezuelano com o tráfico de drogas.

* Informações com CNN

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