CPMI pede ao STF revisão de habeas corpus e quer obrigar Daniel Vorcaro a depor

Recurso da CPMI será levado à Segunda Turma do STF e pode definir comparecimento de banqueiro ao colegiado

Senador Carlos Viana (Podemos).

O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta quarta-feira (11) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deve levar à Segunda Turma da Corte o recurso da comissão que tenta obrigar o banqueiro Daniel Vorcaro a prestar depoimento. A declaração foi dada após reunião entre integrantes da CPMI e o ministro, relator de investigações relacionadas ao Banco Master e a fraude no INSS.

Segundo Viana, a comissão pediu ao STF a revisão de decisões de habeas corpus que têm permitido a investigados e testemunhas deixar de comparecer às convocações da CPMI e a depoimentos na Polícia Federal.

“O ministro colocou para nós com muita clareza que vai rever, mas especialmente no caso do banqueiro Daniel Vorcaro já encaminhará o nosso recurso para votação na Turma, para uma decisão colegiada”, disse.

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Para Viana, uma definição do STF é importante para esclarecer os limites da investigação conduzida pela comissão.

“Isso é importante para que a gente possa entender com clareza qual é o tamanho dessa decisão e o quanto ela vai nos impedir de continuar a investigação em profundidade”, afirmou.

Caso seja levado para a Segunda Turma - a qual André Mendonça pertence, o caso também passa a ser analisado pelos ministros Edson Fachin, Gilmar Mendes e Nunes Marques. O ministro Dias Toffoli também integra a segunda turma, mas não deve participar do julgamento, já que ele se declarou suspeito de julgar ações relacionadas ao banco Master, sem expor detalhes.

“Questão de honra”

Na coletiva de imprensa realizada após a reunião com Mendonça, Viana destacou que o depoimento de Vorcaro é considerado fundamental para o avanço dos trabalhos da CPMI.

“Para nós é uma questão de honra o comparecimento do Daniel Vorcaro na CPMI. Ele vai ser tratado como qualquer outra pessoa, com declarações a serem dadas”, disse.

Segundo o presidente da comissão, se não houver revisão das decisões judiciais que permitem o não comparecimento de investigados, a presença do banqueiro pode não ocorrer.

“Se não houver uma revisão sobre os habeas corpus e a possibilidade de eles não comparecerem, dificilmente ele terá de dar explicações ou vai comparecer à nossa comissão”, afirmou.

Compartilhamento de provas

Durante a reunião, os parlamentares também discutiram com o ministro a possibilidade de compartilhamento de provas das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

De acordo com Viana, Mendonça reiterou que os dados poderão ser repassados à CPMI quando os inquéritos estiverem concluídos. Mas com a comissão chegando a sua reta final, com previsão de se encerrar no final de março, o senador demonstrou preocupação com o tempo disponível para a conclusão dos trabalhos.

“Os inquéritos da Polícia Federal podem se estender até por mais de um ano pela complexidade e pelo tamanho desse escândalo”, disse.

O pedido de prorrogação da CPMI já foi apresentado ao presidente do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não se manifestou.

Relatório pode sair mesmo sem prorrogação

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), afirmou que a comissão trabalha para apresentar um relatório robusto, mas admitiu que o documento pode ser entregue mesmo sem a prorrogação dos trabalhos.

“Tenho trabalhado muito junto com o presidente para que nós possamos entregar um relatório robusto”, afirmou.

Gaspar destacou, no entanto, que a comissão apresentará suas conclusões mesmo se o prazo da CPMI não for ampliado.

“Se encurtarem a CPMI, nós entregaremos o relatório com os dados que já temos”, afirmou.

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
Repórter de política em Brasília, com foco na cobertura dos Três Poderes. É formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB) e atuou por três anos na CNN Brasil, onde integrou a equipe de cobertura política na capital federal. Foi finalista do Prêmio de Jornalismo da Confederação Nacional do Transporte (CNT) em 2023.

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