Bolsonaro na Papudinha: oposição pede prisão domiciliar, e base de Lula comemora

Bolsonaro estava na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília desde 22 de novembro, quando foi preso preventivamente após violar a tornozeleira eletrônica.

O ex-presidente já foi transferido para a Papudinha.

A transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chamada “Papudinha”, unidade ao lado do Complexo Penitenciário da Papuda, determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), gerou reação entre aliados de Bolsonaro e a base do presidente Lula (PT) no Congresso.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), aliado da família Bolsonaro, não se posicionou totalmente contra a decisão. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que “aparentemente” a cela onde o ex-presidente ficará oferece “um espaço maior, sem barulho e com atendimento médico 24 horas”.

O parlamentar disse que pretende “apurar” a informação junto à família de Bolsonaro, mas questionou por que o STF não autorizou a prisão domiciliar. “Moraes acaba de transferir Bolsonaro para a Papudinha. Aparentemente, parece ser um espaço melhor, sem barulho e com atendimento médico 24h. Vou apurar com a família se essas condições de fato são melhores. Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo para casa? Enfim, tudo isso por um crime que ele nunca cometeu e deveria estar livre”, escreveu.

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A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) afirmou que a transferência não representa “justiça” e reforçou o pedido de prisão domiciliar para Bolsonaro. O deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, também defendeu a medida. Para ele, a decisão imposta ao ex-presidente representa “castigo, exposição deliberada e abuso de poder”, e criticou o que chamou de “autoritarismo de toga” e o uso da “caneta transformada em ferramenta de perseguição”.

O senador Jorge Seif Junior (PL-SC) afirmou que Bolsonaro teve “seus direitos violados” ao ser mantido preso “enquanto enfermo, em uma prisão injusta, e agora na Papuda”.

Base do governo Lula celebra a transferência

Entre os parlamentares da base do governo Lula, a decisão foi comemorada. A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) escreveu que o ex-presidente “sonhou com o golpe, mas acordou na Papudinha”. Rogério Correia (PT-MG) também comentou nas redes sociais: “A Papudinha lhe espera!”.

Erika Hilton (PSOL-SP) disse que a unidade ainda é “muito ruim para um líder de organização criminosa que tentou um golpe de Estado” e afirmou que Bolsonaro “deveria viver as suas famosas palavras: bandido tem que apodrecer na cadeia”.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, elogiou Moraes: “Quem é chefe de organização criminosa armada tem que estar em presídio de segurança máxima”.

Guilherme Boulos (PSOL-SP), ministro da Secretaria-Geral do governo Lula, publicou: “Aqui se faz, aqui se paga”, acompanhado de um vídeo do ex-presidente.

Contexto da prisão e decisão do STF

Bolsonaro estava na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília desde 22 de novembro, quando foi preso preventivamente após violar a tornozeleira eletrônica. Ele cumpre pena de 27 anos e 3 meses de prisão, após condenação por liderar a tentativa de golpe de Estado de 8 de janeiro.

Na decisão que autorizou a transferência, Moraes reconheceu que o sistema penitenciário é marcado por precariedade, mas ressaltou que Bolsonaro recebeu tratamento diferenciado em relação a outros condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro, incluindo ar-condicionado, televisão, frigobar, banheiro privativo e entrega de comida caseira. O ministro destacou ainda que, mesmo com essas condições, houve “sistemática tentativa” de deslegitimar o cumprimento da pena por meio de pressão pública exercida por falas e declarações da família do ex-presidente.

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

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