'Ônibus por aplicativo que não sai da rodoviária é clandestino’, diz presidente da Abrati

Associação defende retorno do convênio entre a PRF e a ANTT para fiscalização

Letícia Pineschi, diretora da Abrati

Depois do carnaval mais letal da última década nas rodovias federais, a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestres de Passageiros (Abrati) voltou a cobrar a retomada de um convênio entre a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). De acordo com Letícia Pineschi, “não falta lei, falta fiscalização”.

Fiscalização

“Eu acredito que uma efetiva fiscalização da ANTT para o cumprimento de uma lei que já existe, não é uma questão de afastar a concorrência, é uma questão de simetria regulatória. Concorrer sim, mas nas mesmas condições. A gente acabou de implementar um novo marco regulatório do transporte que, inclusive, estabelece até algumas janelas de concorrência para algumas linhas que não são atendidas ou que estão com poucos concorrentes. A lei está aí, agora é cumprir”, afirmou Pineschi.

Convênio

Para o setor, a PRF deve retomar um convênio que tinha com a ANTT e foi interrompido por falta de recursos. ‘Eu acho que hoje, firmado um novo convênio com a Polícia Rodoviária, ou até mesmo utilizado as câmeras de identificação de placa e tecnologia, é possível fazer uma fiscalização que hoje está muito falha e que coloca toda a população em risco”, defende Pineschi.

Clandestino

Segundo ela, ônibus de viagens que tem passagens vendidas por aplicativo e não saem de rodoviárias são todos enquadrados em transporte clandestino, inclusive sendo popular. “Não saiu da rodoviária é irregular. Se parte da frente de um shopping, de um posto de gasolina, sem um local, sem a menor infraestrutura para o transporte de passageiros, com certeza você está viajando num transporte clandestino”, afirmou.

Carnaval

Para Letícia, quanto maior o volume de transporte clandestino, mais risco o passageiro corre. “Na realidade, o que esse carnaval de fato evidenciou para o Brasil foi a irregularidade e o risco que o transporte clandestino, seja ele de ônibus, seja ele em veículos de passeio, em vãs, trouxeram para as estradas. De fato, houve uma incidência muito grande de transporte irregular que sofreu acidente e que vitimou outras pessoas”, avalia.

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Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

A opinião deste artigo é do articulista e não reflete, necessariamente, a posição da Itatiaia.

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