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Acordo de Mariana: negociação entre mineradoras e governo é retomada após 5 meses

Comissão da Câmara dos Deputados aguarda informação sobre contraproposta oferecida por Samarco, Vale e BHP

Após interrupção de conversas nos últimos meses, o governo federal, os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo retomaram as negociações com as mineradoras Samarco, e suas controladoras Vale e BHP Billiton, sobre o novo acordo de Mariana. As informações foram confirmadas à Itatiaia por fontes nos três governos. O Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que faz a mediação do acordo, também tem conhecimento da retomada das negociações, no entanto, oficialmente, ainda não recebeu uma nova proposta das mineradoras.

Como a Itatiaia já informou, as tratativas foram interrompidas após as empresas oferecerem um terço do valor que era pedido pelos governos que foram impactados pela tragédia. Após mais de 250 reuniões, as partes decidiram aceitar uma proposta de R$ 126 bilhões. No entanto, na reta final, segundo fontes próximas às negociações, as empresas apresentaram uma contrapartida de R4 42 bilhões — ou seja, um terço do valor que estava na mesa.

Veja mais: Justiça quer ultimato às mineradoras para fechar acordo de Mariana até março

Integrantes do governo de Minas e do Espírito Santo chegaram a chamar a proposta de “vergonhosa” e “aviltante”.

Após o rompimento na relação, a reportagem apurou com fontes próximas ao acordo que as negociações foram retomadas e esquentaram nos últimos dias. Apesar da reaproximação, as mineradoras ainda não consolidaram o valor de uma nova proposta.

O coordenador da Comissão Externa sobre Fiscalização do Rompimento de Barragens, deputado federal Rogério Correia (PT), se reuniu nesta segunda-feira com a presidente do TRF-6, desembargadora Mônica Sifuentes, para saber se a magistrada já tem conhecimento sobre os valores tratados após a retomada das negociações. O parlamentar irá realizar uma audiência pública na Câmara dos Deputados em Brasília para cobrar transparência e celeridade nas negociações.

“O que viemos cobrar é se as empresas, realmente, retomaram o diálogo para apresentação de uma proposta. A última proposta apresentada pela empresa Samarco, Vale e BHP foi muito aquém do que era exigido pelos governos federal, estaduais e Ministério Público. Algo em torno de R$ 126 bilhões e ofereceram R$ 42 bilhões. Então, elas continuam em um processo de ‘enrolar’”, criticou.

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“Temos duas decisões importantes: a primeira delas é que vamos tomar conhecimento de uma nova proposta que as empresas ficaram de apresentar. E vamos, na Câmara, ter uma audiência pública na terça-feira para conhecer a proposta e ver se ela está avançando ou não. Ao mesmo tempo, tomar medidas que possam fazer com que elas sentem, de fato, e negociem. Ou seja, elas tem que sentir, no bolso, que não podem continuar enrolando esse processo durante tanto tempo e sendo elas responsáveis pelo crime acontecido”, afirmou.

Na reunião, o TRF disse que ainda não recebeu uma proposta oficial das empresas.

A Itatiaia acionou Vale, Samarco e BHP sobre o assunto. Até o momento, as empresas não responderam.

O rompimento da barragem da Samarco despejou milhões de cúbicos de rejeitos de minério na bacia do Rio Doce. A lama chegou até o litoral do Espírito Santo. A tragédia matou 19 pessoas. Até hoje, ninguém foi preso.


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Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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