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Após ‘atrito’ em audiência pública, deputado pede saída de comandante da PM; entenda

Cristiano Caporezzo (PL) acionou o Ministério Público contra o coronel Rodrigo Piassi por abuso de poder

Após um “atrito” com o comandante-geral da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), coronel Rodrigo Piassi, durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa nesta semana, o deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL) acionou o Ministério Público para pedir a exoneração do militar. O parlamentar alega que Piassi tentou “humilhá-lo” durante sessão da Comissão de Segurança Pública ao expor o seu histórico enquanto cabo da Polícia Militar.

O deputado do PL, juntamente com outros integrantes da comissão, também pede que ele responda por violação do sigilo profissional, improbidade administrativa e violação à Lei Geral de Proteção de Dados.

Durante a reunião, Piassi chegou a dizer que, após analisar a ficha de Caporezzo era possível afirmar que “ele não tem muita experiência” na corporação.

À Itatiaia, o deputado disse que encaminhou o pedido de exoneração de Rodrigo Piassi do cargo de comandante-geral da PM à Procuradoria Geral de Justiça e recebeu apoio dos demais integrantes da comissão na ALMG. Questionado pela reportagem, o Ministério Público diz que quem deve analisar o pedido é o Governo de Minas Gerais. O órgão afirmou que ainda não recebeu, formalmente, o pedido de Caporezzo, no entanto, o Procurador Geral de Justiça do Estado, Jarbas Soares Jr., antecipou que o entendimento preliminar do MP é de que o assunto tratado é prerrogativa do governador Romeu Zema.

O MP ressaltou que “as questões legais poderão ser levadas ao PGJ que, se for o caso, se manifestará nos autos”.

O conflito entre o deputado e o chefe da Polícia Militar escalou nas últimas semanas. Piassi foi convidado a comparecer a uma audiência na Comissão de Segurança Pública para explicar a necessidade de recomposição salarial de membros das forças de segurança — que, nas contas dos deputados e de representantes de classe, está 41% abaixo da inflação acumulada nos últimos anos. O comandante-geral da PM não compareceu à reunião, nem se justificou, o que irritou os parlamentares, que decidiram convocá-lo para uma nova reunião. Pelas regras do Legislativo estadual, secretários de estado e outras autoridades são obrigadas a comparecer à Assembleia em caso de convocação.

Durante a reunião, o coronel Rodrigo Piassi leu aos presentes a ficha funcional de Caporezzo, que atuou por cerca de uma década como cabo da Polícia Militar. Segundo o deputado estadual, as fichas funcionais dos servidores públicos têm caráter sigiloso e só podem ser acessadas por quem tem função privilegiada ou por ordem judicial.

Caporezzo alega que Piassi utilizou o cargo de comandante-geral para acessar a sua ficha funcional no período em que ele fazia parte da corporação, antes de se tornar vereador em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e, deputado estadual, desde 2023. Na avaliação do parlamentar, a atitude caracteriza “claro abuso de poder e finalidade”.

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O que disse o chefe da PM

Após ser convocado à Assembleia Legislativa, o coronel Rodrigo Piassi reclamou da postura dos deputados, alegando que os parlamentares “inflam” os militares a fazer greve por melhoria salarial e provocam “indisciplina”. O comandante-geral ainda demonstrou incômodo ao comparecer a sessão na condição de convocado — apesar de não ter comparecido à sessão em que foi convidado.

Piassi afirmou, ainda, que a convocação tem como intenção enfraquecer a sua autoridade diante da tropa e que isso não contribui em nada na discussão por melhores salários para os policiais militares.

“Todas as vezes que o comandante geral é enfraquecido o ambiente de indisciplina é montado para eventos futuros”, disse.

Insatisfeito, Piassi argumentou que não aceitaria convites para ir a reuniões cujo objetivo é atacar o governador ou o comando da PM e não participaria de audiências nas quais não seria dado a ele o tempo necessário para falar.

“Nesses casos, só virei como convocado”, afirmou.

Piassi finalizou dizendo que se a reunião ter como objetivo discutir assuntos de segurança pública, ele estará presente. Os parlamentares discordaram que estivessem atacando o comandante-geral e ressaltaram que expôr problemas e propor soluções é prerrogativa do mandato de deputado.

Recomposição salarial

Integrantes das forças de segurança pública de Minas cobram o governador Romeu Zema (Novo), desde o seu primeiro mandato, por uma recomposição salarial de 41% nos vencimentos. O pedido de reajuste foi acatado pelo chefe do Executivo, que chegou a apresentar um plano de pagamento dividido em três parcelas, mas só honrou com a primeira. Alegando problemas orçamentários, Zema disse que as contas públicas não permitiriam honrar com o compromisso.

Nos últimos anos, policiais da reserva fizeram diversas manifestações para cobrar o reajuste.


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Repórter de política na Rádio Itatiaia. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. Em Belo Horizonte, teve passagens pelas rádios Alvorada, BandNews FM e CBN. No Grupo Bandeirantes de Comunicação, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na BandNews FM BH. Cobriu as tragédias ambientais da Samarco, em Mariana, e da Vale, em Brumadinho. Vencedor de 8 prêmios de jornalismo. Em 2023, venceu o Prêmio Nacional de Jornalismo CNT.
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