Lira muda relator do PL das ‘fake news’ e proposta volta à estaca zero na Câmara
Decisão de remover Orlando Silva da relatoria pegou o deputado de surpresa; nova proposta deverá ser discutida em grupo de trabalho que será formado na Casa

Após quatro anos de discussão e pouquíssimos avanços, o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL) decidiu retomar do zero a proposta que discute a regulamentação das redes sociais no Brasil e cria mecanismos para o combate a disseminação de notícias falsas, proposta conhecida como ‘PL das Fake News’. Na terça-feira (9), o deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) foi retirado da relatoria do projeto, que agora será discutido por um grupo de trabalho que ainda será formado.
Lira justificou a decisão dizendo que o projeto já estaria ‘contaminado’ e que dificilmente o texto, da forma estava, seria aprovado em plenário.
“O PL 2630/20 está fadado a ir a lugar nenhum, não tivemos tranquilidade do apoio parlamentar para votar com a maioria”, disse o presidente da Câmara. Desde que foi aprovado no Senado e chegou à Câmara dos deputados, o texto passou a receber uma enorme pressão, especialmente por parte das Big Techs e dos deputados conservadores, de oposição, que acusam o projeto de promover censurar.
O presidente disse ainda que a decisão de criação de um grupo de trabalho para debater o tema foi corroborada pelos líderes partidários na reunião de líderes realizada ontem, inclusive pela liderança do governo. Segundo o presidente, os parlamentares avaliaram que a discussão de uma nova proposta, menos controversa, pode levar entre 30 a 40 dias.
“Não é novidade que tentamos por diversas vezes, em diversas oportunidades, com esforço de todos os líderes, do relator, da presidência da Casa, votar o projeto. Subdividimos o texto na questão dos streamings e na questão dos direitos autorais e não conseguimos um consenso. Todos os líderes avaliaram que o projeto não teria como ir à pauta”, disse Lira.
A ação de Lira pegou de surpresa o antigo relator do projeto na Câmara, o deputado Orlando Silva. Nas redes sociais, o parlamentar disse que o parlamento precisa tratar o tema com urgência, e criticou uma omissão da Casa sobre o tema.
“Superar esse desafio é fundamental para o Brasil, e exige convicção e ação de forças políticas e sociais comprometidas com os valores democráticos. A omissão pode nos cobrar um preço elevado”, disse.
Originalmente, o texto havia sido apresentado, discutido e aprovado no Senado por três anos, a partir de 2020. Autor da proposta, o senador Alessandro Vieira (MDB) criticou a decisão de Lira.
“De onde não espera nada é que não vem nada mesmo. Rei Lira declara que não vai votar o 2630, mas vai criar um GT para discutir o assunto, que já não é simples, e ainda vai incluir Inteligência Artificial no debate. É a receita perfeita para não votar nada e esperar o Supremo”, disse. Nesta semana, Pacheco havia cobrado, mais uma vez, agilidade do Congresso para votação do tema.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



