O ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL),
Martins foi assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República no início do governo Bolsonaro, ainda em 2019, após fazer parte da equipe de transição do então chanceler Ernesto Araújo. Ele se aproximou do ex-presidente em 2014, por meio do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), seu padrinho político.
Martins teria sido o assessor que, em novembro de 2022, apresentou ao ex-presidente a minuta de decreto golpista. O documento decretava a prisão de diversas autoridades, incluindo Moraes e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). O documento teria sido alterado por ordens de Bolsonaro, segundo a PF, permanecendo apenas a prisão do magistrado.
O assessor teria uma posição de organizar as questões jurídicas da “minuta do golpe”, trabalhando na intermediação com pessoas que pudessem redigir o documento de acordo com os interesses da organização criminosa. O núcleo 2 do golpe também seria responsável pelo monitoramento e plano de assassinato de autoridades.
Filipe Martins foi preso nesta sexta-feira após descumprir uma medida cautelar de prisão domiciliar e usar a rede social Linkedin. No dia 29 de dezembro, Moraes cobrou explicações da defesa do ex-assessor de Bolsonaro. Os advogados de defesa negam que ele tenha utilizado as redes sociais de forma comunicacional.
Os advogados alegam que as contas digitais estão sob custódia da defesa desde fevereiro de 2024, sendo acessadas apenas para fins técnicos, como preservação de provas e organização de informações relevantes ao processo. Eles afirmam que Martins não fez postagens, não interagiu com terceiros nem enviou mensagens. Também sustentam que o LinkedIn é uma plataforma de perfil profissional e que o episódio pode estar relacionado a registros automáticos da própria plataforma.
Gesto racista
Martins é o assessor de Bolsonaro que, em março de 2021, viralizou após ser acusado de fazer um gesto considerado racista dentro do Senado. Durante uma sessão, ele estava sentado atrás de Pacheco e foi flagrado pela transmissão do senado fazendo um gesto que forma as letras W e P com as mãos, uma referência a expressão “White Power”.
Ele chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF), sendo absolvido em primeira instância. A acusação recorreu e o Tribunal Regional Federal da 1º Região derrubou a decisão e o condenou em dezembro de 2024 à dois anos e quatro meses, pena convertida em serviços comunitários e multas de R$ 52 mil.