Flávio Dino proíbe aposentadoria compulsória como maior punição a magistrados

Juízes e ministros que cometerem crimes não poderão mais ser punidos com aposentadoria compulsória. Sanção será a perda do cargo, com fim do salário

Ministro Flávio Dino, do STF

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), reforçou nesta segunda-feira (16) que a aposentadoria compulsória deixou de ser permitida como punição máxima para magistrados que cometem infrações disciplinares.

A Constituição foi modificada em 2019 para estabelecer que a sanção mais grave aplicável a juízes deve ser a perda do cargo, e não o afastamento com remuneração. Apesar da mudança, órgãos do sistema de Justiça continuaram aplicando a aposentadoria compulsória como penalidade em casos de condutas consideradas graves.

“A Emenda Constitucional nº 103/2019, ao promover alterações no sistema previdenciário brasileiro, também atingiu de forma expressa o regime jurídico dos magistrados e as competências do Conselho Nacional de Justiça, revogando a sanção de ‘aposentadoria compulsória’ ao retirar seu fundamento constitucional”, afirmou o ministro na decisão.

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Ao analisar um recurso relacionado a sanções impostas a um magistrado do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJ-RJ), Dino anulou uma decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que havia determinado o afastamento do juiz com manutenção de salário e determinou que o caso seja reavaliado pelo órgão.

“Casos graves, à luz da Constituição, devem ser punidos com a perda do cargo, que, em razão da vitaliciedade, depende de ação judicial. Assim, se a perda do cargo for aprovada pelo CNJ, a ação deve ser proposta diretamente no Supremo Tribunal Federal, pelo órgão de representação judicial do CNJ, isto é, a Advocacia-Geral da União”, afirmou o ministro.

Na decisão, Dino também determinou que o presidente do CNJ, Edson Fachin, seja oficiado para que, se considerar necessário, regulamente o sistema de responsabilidade disciplinar do Judiciário.

O objetivo é adequar as normas ao novo texto constitucional e deixar claro que a perda do cargo deve ser a sanção mais severa aplicada a magistrados.

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Jornalista com trajetória na cobertura dos Três Poderes. Formada pelo Instituto de Educação Superior de Brasília (Iesb), atuou como editora de política nos jornais O Tempo e Poder360. Atualmente, é coordenadora de conteúdo na Itatiaia na capital federal.
Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista na Itatiaia e analista de política na CNN Brasil. Na rádio, idealizou e conduziu o Podcast “Abrindo o Jogo”, que entrevistou os principais nomes da política brasileira. Está entre os jornalistas que mais fizeram entrevistas exclusivas com presidentes da República nos últimos 10 anos, incluindo repetidas vezes Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Messias Bolsonaro. Mestre em ciência política pela UFMG, e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México), está na Itatiaia desde 2006, onde também foi também apresentadora. Como repórter, registra no currículo grandes coberturas nacionais e internacionais, incluindo eventos de política, economia e territórios de guerra. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil. Em 2025, venceu o Prêmio Jornalistas Negros +Admirados na categoria Rádio e Texto.

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