Monitoramento inteligente reforça a segurança pública nas cidades

Em São Paulo, o programa Smart Sampa já auxiliou em mais de 3,7 mil prisões; em Belo Horizonte, o Muralha BH prevê a instalação de 12 mil câmeras de vigilância

Smart Sampa conta com mais de 40 mil câmeras inteligentes distribuídas por todas as regiões da cidade de São Paulo

O uso de câmeras inteligentes e de reconhecimento facial já é realidade no combate ao crime em cidades brasileiras. Em São Paulo, o Smart Sampa é classificado pela prefeitura como o maior sistema de monitoramento de segurança da América Latina. Mais de 40 mil câmeras inteligentes, distribuídas por todas as regiões da cidade, estão integradas às forças de segurança e ajudam a identificar foragidos da Justiça, flagrar crimes e auxiliar em prisões.

Dados da prefeitura indicam que, até março deste ano, mais de 3,7 mil prisões em flagrante ocorreram com o auxílio do sistema de monitoramento inteligente, além da localização e prisão de quase 3 mil foragidos. O secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo, Orlando Morando Júnior, detalha o funcionamento do programa.

“É o maior sistema de videomonitoramento de toda a América Latina. Hoje, já superamos 40 mil câmeras, sendo 20 mil do próprio programa e outras 20 mil câmeras privadas que foram integradas ao programa. O Smart Sampa tem quatro pilares fundamentais de atuação. O primeiro é o reconhecimento facial de pessoas procuradas pela Justiça”, conta.

De acordo com o secretário, a plataforma utiliza Inteligência Artificial (IA) para a leitura das imagens. “Todo cidadão que estiver com mandado de prisão em aberto, ao passar por uma das nossas câmeras, será identificado. A plataforma, que conta com inteligência artificial, faz a leitura da face de quem passou pela câmera e cruza com o banco de dados de procurados pela Justiça. Em oito segundos, temos a confirmação, com 92% de assertividade”, detalha.

Segundo ele, diversos criminosos já foram presos com o apoio da tecnologia, e outros sistemas também estão integrados ao Smart Sampa.

“Já realizamos prisões no Rio de Janeiro e em São Paulo. Estupradores, que para mim é um negócio horroroso, especialmente em um país onde a violência contra a mulher aumenta. Aliás, nós temos um aplicativo para todas as mulheres que têm medidas protetivas, também conectado ao programa”, explica.

Orlando Morando, secretário municipal de Segurança Urbana de São Paulo

Inspirado no programa de vigilância de São Paulo, Belo Horizonte já implantou e amplia o sistema Muralha BH, que prevê a instalação de 12 mil câmeras em pontos estratégicos da cidade, com tecnologia de reconhecimento facial e leitura de placas de veículos. O sistema também deve auxiliar na identificação de carros e motos furtados e reforçar a fiscalização no trânsito, especialmente no Anel Rodoviário.

O secretário municipal de Segurança e Prevenção de Belo Horizonte, Márcio Lobato, afirma que esse tipo de monitoramento é essencial.

“É muito importante que tenhamos um monitoramento dos veículos que circulam pela cidade, porque é um consenso entre todas as pessoas que atuam na segurança pública de que o crime não anda a pé. Na maior parte das vezes, o crime está motorizado, está sob rodas. Quando você tem controle dos veículos que circulam na cidade, você tem controle também do crime. Você sabe onde esses criminosos estão”, diz Márcio.

Márcio Lobato, secretário municipal de Segurança e Prevenção de Belo Horizonte

Na era dos avanços tecnológicos, o sociólogo Luís Flávio Sapori, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), afirma que o poder público precisa acompanhar essa evolução.

“O crime avança tecnologicamente, principalmente o crime organizado, e o poder público também tem que fazer seu investimento em tecnologia, principalmente usando a inteligência artificial”, afirma.

Luís Flávio Sapori, sociólogo, professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas) e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP)

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Jornalista graduado pela PUC Minas; atua como apresentador, repórter e produtor na Rádio Itatiaia em Belo Horizonte desde 2019; repórter setorista da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
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