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Na fronteira com Venezuela e Guiana, Roraima vive tensão com possível guerra

Governo local teme por intensificação de migração e sobrecarga em serviços e cofres públicos

Venezuelanos saem de Pacaraima em busca de abrigo em Boa Vista

Crianças brincam em marco da fronteira entre Brasil e Venezuela.

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O conflito entre Venezuela e Guiana pelo território de Essequibo tem preocupado o Governo de Roraima, estado que faz fronteira com os dois países. A equipe do governador Antonio Denarium (PP) teme que uma possível guerra na região possa acentuar o já intenso movimento migratório de refugiados e sobrecarregar as finanças e serviços públicos do estado. Roraima é a principal porta de entrada de venezuelanos - e outros cidadãos caribenhos - que pedem abrigo ao Brasil.

Em nota enviada à Itatiaia, a Secretaria de Comunicação do estado disse que espera que a solução sobre a disputa de Essequibo “se dê de forma pacífica e sem prejuízo à população dos países envolvidos”.

“A preocupação do governo de Roraima está na possibilidade de, em caso de agravamento da tensão, haja um aumento da migração de venezuelanos e o início de uma migração de guianenses também”, diz o governo do estado, completando:

“Outro ponto importante a ser considerado são as despesas com a migração que correm todas por conta do governo estadual e que vêm sobrecarregando os cofres e os serviços públicos.”

O governo local lembra que de 1 milhão de venezuelanos que migraram para o Brasil desde a década passada, 700 mil cruzaram a fronteira pelo estado e 180 mil adotaram o estado como residência.

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O CONFLITO
Caracas reivindica a soberania sobre o território do Essequibo há mais de um século, embora a disputa tenha se reativado após a descoberta de grandes jazidas de petróleo pela gigante americana de energia ExxonMobil, das quais a Guiana, que administra a região, dispôs.

No início do mês, a Venezuela fez um plebiscito para consultar a possibilidade de anexar o território. O resultado final, segundo o governo Maduro, foi de mais de 90% de aprovação.

Na próxima quinta-feira (14), o presidente da Guiana, Irfaan Ali, e o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, vão se reunir para discutir a situação. O encontro será em São Vicente e Granadinas (território neutro à tensão) e realizado sob os auspícios da Comunidade de Estados Latino-americanos (Celac), da Comunidade do Caribe (Caricom) e um secretário-adjunto das Nações Unidas.

É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.
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