Trump recebe presidente da Colômbia na Casa Branca após tensão entre países

Donald Trump e Gustavo Petro buscam uma aproximação entre os países; líderes discutem sobre tráfico de drogas

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e líder colombiano, Gustavo Petro

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, recebeu o mandatário colombiano, Gustavo Petro, na Casa Branca nesta terça-feira (3). O encontro pode marcar uma reviravolta entre os países, após meses de acusações mútuas.

A primeira reunião presidencial entre os líderes aconteceu às 11h (13h no horário de Brasília). Os dois têm se esforçado para diminuir as tensões desde uma ligação inesperada em 7 de janeiro, quando marcaram o encontro.

“Vamos falar sobre drogas, porque temos enormes quantidades de drogas saindo do país deles”, disse Trump na véspera da reunião.

A Colômbia é a maior produtora mundial de cocaína e busca apoio dos EUA para manter a pressão militar nas regiões de cultivo.

Em uma mensagem publicada nas redes sociais, Petro afirmou que o objtivo do encontro é “o combate ao narcotráfico, a partir de uma abordagem que priorize a vida e a paz em nossos territórios.”

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Por outro lado, Trump precisa que o país sul-americano aceite a deportação de milhares de imigrantes em situação irregular. A campanha de deportações dos EUA enfrentou fortes críticas do líder colombiano.

O presidente da Colômbia chegou a Washington acompanhado da ministra das Relações Exteriores, Rosa Villavicencio, o ministro da Defesa, Pedro Sánchez, e altos funcionários de inteligência.

A relação entre os dois países “será relançada”, prometeu Villavicencio quando chegou em Washington. Já Sánchez disse que com este encontro, “a mensagem é clara: as nações ganham e os criminosos perdem.”

Tensão entre os países

Trump iniciou o segundo mandato anunciando uma campanha de deportação em massa, à qual Petro, inicialmente, respondeu com críticas e suspendeu a chegada de aviões na Colômbia, argumentando que os imigrantes não estavam recebendo tratamento digno.

O governo dos Estados Unidos não concordou com a ação de Petro e, em setembro, Trump começou a atacar embarcações supostamente ligadas ao tráfico de drogas no Caribe, o que o líder colombiano denunciou como “execuções extrajudiciais.”

Pouco tempo depois, o país norte-americano retirou o certificado de combate às Drogas da Colômbia, o que colocou em risco centenas de milhões de dólares em ajuda bilateral. Na época, durante uma viagem para a Assembleia Geral de ONU, Petro participou de manifestações contra o governo de Trump em Nova York.

Em seguida, o secretário de Estado, Marco Rubio, revogou o visto do colombiano e sanções pessoais foram anunciadas contra ele a sua família. Trump o acusou de ser um “líder do narcotráfico” e o advertiu para “tomar cuidado” se não quisesse que a Colômbia sofresse o mesmo destino da Venezuela.

Agenda de Petro nos EUA

Agora, com um visto de entrada temporário a Presidência da Colômbia anunciou que a agenda de Petro nos EUA inclui atividades políticas, acadêmicas e empresariais, além de encontros com a comunidade colombiana no país norte-americano.

Ele participará de uma palestra sobre mudanças climáticas na Universidade de Georgetown, em Whashington D.C., e se reunirá com líderes empresariais do setor cacaueiro, com foco em comércio, sustentabilidade e promoção internacional do produto.

O líder ainda se reunirá com congressistas americanos para fortalecer o diálogo político e legislativo bilateral e realizará um encontro com a diáspora colombiana na Biblioteca Martin Luther King.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.

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