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Senado pode criar comissão para investigar desaparecimento de Dom e Bruno e criminalidade na Amazônia

Sessão no Legislativo foi aberta por declarações de senadores sobre o desaparecimento do jornalista e do indigenista 

Desaparecimento de Dom e Bruno completou uma semana neste domingo (12)

O senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP) apresentou um requerimento para criar uma comissão especial para investigar o desaparecimento do jornalista britânico e o indigenista Bruno Araújo, na região do Vale do Javari, no Amazonas. O requerimento pede que sejam indicados três integrantes das comissões de Direitos Humanos, Meio Ambiente e Constituição e Justiça.

"O atual presidente da República foi eleito sob o argumento de não entregar a Amazônia. O que estamos assistindo, ao final de quatro anos de mandato, é que a Amazônia foi entregue a todo tipo de banditismo politico ou organizado. Foram desmantelados os mecanismos que existiam de defesa da Amazônia", denunciou Rodrigues.

O senador citou ainda que a Amazônia está entregue ao narcotráfico, madeireiros e garimpeiros ilegais.

A sessão do Senado foi aberta no início da tarde desta segunda-feira (13) com um pronunciamento do presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ele se solidarizou com amigos e famílias dos desaparecidos. Ainda não há confirmação oficial pelas autoridades brasileiras de que seus corpos foram encontrados na região do desaparecimentos. No entanto, a Embaixada brasileira no Reino Unido informou que os corpos foram achados amarrados a uma árvore.

"É uma situação das mais graves do Brasil, assim como já presenciamos promotores de Justiça que pagaram com a vida, juízes sacrificados, crimes políticos, atentados a parlamentares, prefeitos municipais, a jornalistas que, por vezes, perdem a vida pelo seu mister de denunciar e investigar", afirmou.

Pacheco afirmou que o Senado deve reagir ao que considerou ser "uma ofensa ao estado brasileiro e às instituições.

"Não podemos tolerar essa atrocidade", disse.

O senador Fabiano Contarato (PT-ES) foi na mesma direção, cobrando responsabilidade do governo federal pelo desaparecimento da dupla.

"Venho denunciando o vilipêndio à pauta ambiental no país. É público e notório que o presidente queria acabar com o Ministério do Meio Ambiente. Não conseguiu de direito, mas está fazendo de fato, com o desmantelamento de órgãos de fiscalização como o Ibama e ICMBio", afirmou.

Senado pelo Amazonas, Omar Aziz disse que crimes ocorrem diariamente na região, "não com esse enfoque".

"Muitos amazonenses morrem em função do narcotráfico, pesca ilegal, extração de madeira, de ouro. não só naquela região, mas no Alto Solimões todo", contou.

O senador Flavio Bolsonaro (PL) saiu em defesa do pai, disse que o governo federal mobilizou esforços para a busca e criticou quem vincula o crime com o governo de Jair Bolsonaro.

"É óbvio que todos nos torcemos para que sejam encontrados com vida. É importante ressaltar que o governo federal lançou mão de seus recursos, são mais de 200 policiais federais e das Forças Armadas, em sintonia com a policia do estado do Amazonas. É óbvio que há uma angústia quando não se tem a confirmação, seja para qual lado for. Alguns começam a politizar um drama como esse, querendo vincular um fato angustiante como esse com o presidente Bolsonaro, que colocou todos os instrumentos e recursos humanos", defendeu.

Dom e Bruno

Dom Phillips e Bruno Araújo estão desaparecidos há mais de uma semana, desde o dia 5 de junho, quando deixaram uma comunidade chamada São Rafael com destino à cidade de Atalaia do Norte. A ONG Univaja, onde Bruno trabalhava, iniciou as buscas quando notou que eles não haviam chegado a seu destino a tempo.

Além da organização, a Polícia Federal, as Forças Armadas e a Polícia Militar do Amazonas ajudam nas buscas. Neste domingo (12), foram encontrados uma mochila e objetos pessoais dos dois. Uma embarcação que teria sido utilizada por Dom e Bruno também foi localizada. O Instituto Nacional de Criminalística também periciou um órgão humano encontrado no local das buscas.

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