Homem forte de Romeu Zema (Novo), o vice-governador Mateus Simões (Novo), conforme admitido pelo próprio governador de Minas Gerais ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, pode migrar para o PSD, de Gilberto Kassab, para concorrer ao governo do Estado em 2026, apesar de interlocutores do partido ainda defenderem que tudo está em aberto. A estratégia teria benefícios óbvios: Simões deixaria um partido pequeno, ganharia uma estrutura partidária que nunca teve para a corrida eleitoral, com apoio de uma das maiores bancadas tanto no Congresso Nacional quanto na Assembleia Legislativa, e abocanharia uma farta parcela do fundo partidário, além de ter à sua disponibilidade tempo vasto de televisão e rádio.
Entretanto, a mudança de legenda seria também o batismo de Simões como político “raiz”: o então “gestor” do Partido Novo se entregaria de vez ao “caciquismo” do PSD, compondo os quadros de um elefante eleitoral, com grande parte das prefeituras e cadeiras legislativas no país, e perderia o mote da antipolítica que fez, em grande parte, com que Zema se elegesse governador em 2018, e alavancasse sua candidatura à reeleição em 2022. Com isso, a mudança seria agridoce para Simões, que se formou narrativamente como um “técnico” que, vez ou outra, se arriscava aos holofotes da política institucional e que atuava na articulação nos bastidores do governo de Romeu.
A mudança de legenda é discutida há meses dentro dos quadros do PSD. Chegou a ser aventada na imprensa no ano passado, mas não avançou e, até as últimas semanas, ainda estava mais próxima de uma ideação da bancada pessedista na Assembleia, que compõe a base do governo Zema, do que necessariamente em uma realidade política. Contudo, a proximidade do pleito – e a baixa adesão da figura de Simões nas pesquisas de opinião para as eleições de 2026 – apressaram as tratativas e colocaram a filiação como uma pauta importante para o vice de Romeu Zema, que parece se ver dividido entre o poderio eleitoral do partido de Kassab e a manutenção do perfil político que sempre teve.
Bastidores
Nos arredores de Simões, o entendimento é de que a mudança de legenda teria poucas desvantagens reais e que não mudaria o perfil técnico do vice-governador. Há conversas nos bastidores, contudo, que apontam que a hesitação seria parte de um plano do marqueteiro de Romeu Zema, Renato Pereira, para fortalecer a imagem do governador para 2026 e manter Simões conhecido, também, pela projeção do chefe do Palácio Tiradentes a nível nacional. Inicialmente, havia tratativas para que Simões passasse a campanha no Novo e, caso ganhasse a reeleição, migrasse para o PSD assim que assumisse o cargo. A ideia é que o Novo teria mais capacidade de aglutinar apoios da direita do que o PSD, que se posiciona mais ao centro do espectro político.
A proximidade da chegada de Gilberto Kassab a Belo Horizonte, em 17 de setembro, contudo, colocou em xeque a estratégia e a oportunidade de Simões “subir de nível” politicamente entrou no radar do vice-governador. No evento, o presidente nacional do PSD e secretário de Governo e Relações Institucionais do governo de São Paulo se encontrará com prefeitos de seu partido e com a bancada estadual e federal do PSD em Minas. A última vez que Kassab esteve em Belo Horizonte foi no velório do ex-prefeito Fuad Noman, em 27 de março.
PSD ainda mantém cautela
No PSD mineiro, apesar de se admitirem as tratativas com Simões, há o sentimento de que a filiação está sendo “apressada” e que ainda é devido respeito a Rodrigo Pacheco (PSD), que segue filiado ao partido e é um possível candidato à cadeira no Palácio Tiradentes. Interlocutores da sigla afirmam que “não há nada no horizonte a curto prazo” em relação a uma filiação de Simões. Por outro lado, é consenso na legenda que o vice-governador seria um bom quadro para concorrer ao governo do Estado, em contraste com a possível saída de Pacheco da agremiação ainda neste ano. Filiados ao PSD próximos a Simões ainda veem poucas desvantagens em um embarque no partido, aquém de “algumas decepções” dentro do Novo.
Enquanto isso, o Novo teme perder uma de suas principais figuras a nível estadual e rechaça a possibilidade de que Mateus Simões faça a transição de partido. Interlocutores da legenda tratam as negociações com o PSD apenas como “convites” em aberto, sem a possibilidade concreta de que haja uma mudança real de legenda.