O deputado federal
Nikolas Ferreira (PL-MG) afirmou que a montagem publicada por ele nas redes sociais no último sábado (3), na qual o
presidente Lula (PT) aparece sendo preso por militares dos Estados Unidos, tratava-se apenas de um “meme”.
A publicação foi feita após a
captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro em uma operação autorizada pela Casa Branca.
Em Belo Horizonte, o parlamentar minimizou o post e disse que a montagem foi uma brincadeira. “Então, assim: ‘você [Nikolas] deseja que capturem o presidente do Brasil?’. Não estou dizendo isso. O que estou dizendo é que postei um meme. Acho que ainda pode postar meme, né?”, ironizou.
Dando sequência à repercussão da captura de Maduro, o deputado afirmou que o venezuelano está sendo tratado como a santa Madre Teresa de Calcutá. “Ele estava fazendo um serviço beneficente e aí os EUA foram lá e o prenderam, prenderam um assistente social”, brincou.
No dia da operação, que resultou na captura de Maduro, Nikolas comemorou o sucesso da ação e sugeriu destinos “semelhantes” em outros
países da América Latina, incluindo o Brasil.
As publicações geraram críticas de internautas, que acusaram o parlamentar de incentivar uma invasão estrangeira no Brasil.
A deputada federal
Erika Hilton (PSOL-SP) chegou a protocolar, nesta segunda-feira (5), uma representação junto à
Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado, por estimular, segundo ela, uma eventual operação do presidente Donald Trump em território brasileiro.
Também nesta segunda-feira, questionado pela Itatiaia, Nikolas afirmou que apoia bombardeios “contra criminosos” e contra “o crime organizado”.
“
Temos um país [Venezuela] que estava subjugado a um ditador que, durante anos, não fez eleições. Não houve reconhecimento do resultado das eleições por órgãos nacionais e até mesmo internacionais. Ou seja, é inacreditável como agora estão dando foco na ação dos Estados Unidos, enquanto as ações anteriores de Maduro estão sendo esquecidas”.
— respondeu.
Ele ainda insinuou, sem apresentar provas, que o presidente Lula e o
Foro de São Paulo teriam ajudado “e muito” na situação atual da América Latina no que diz respeito à criminalidade e ao narcotráfico.
Desgaste na relação
A
relação entre Brasil e Venezuela já estava desgastada antes mesmo da operação da Casa Branca, conforme apurado pela Itatiaia.
O presidente venezuelano, há algum tempo, sequer atendia ligações do presidente brasileiro.
Um dos principais motivos seria o
não reconhecimento, por parte de Lula, das eleições venezuelanas de 2024, que Maduro alega ter vencido.
Sem citar os nomes de Maduro ou do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,
Lula condenou, em nota, os ataques ao território venezuelano e voltou a defender a soberania dos países e da América Latina. “Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, em que a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”, afirmou.