‘Sicário’, capanga de Vorcaro, já tinha tentado suicídio em cela de delegacia de BH

Em 2003, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão tinha o apelido de ‘Mexerica’

Delegado diz que, em 2003, Luiz Phillipi tinha apelido de ‘Mexirica’ e era envolvido com roubo de carros

Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como ‘Sicário’, de 43 anos, já tinha tentado suicídio na prisão, em 2003. Na época, ele foi detido na Delegacia de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos, em Belo Horizonte, por receptação de roubo de veículos.

‘Sicário’ entrou em protocolo de morte encefálica. nessa quarta-feira (5), horas após ser preso pela Polícia Federal no âmbito da operação Operação Compliance Zero, que investiga o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master. Conforme a PF, ele tentou se enforcar com uma camisa na cela da Superintendência da PF, em BH, foi socorrido e levado para o Pronto-Socorro João XXIII.

‘Mexerica’

Em 2003, Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão tinha o apelido de ‘Mexerica’. Cláudio Utsch era o chefe da Delegacia de Repressão ao Furto e Roubo de Veículos. Atual responsável pela delegacia de Caeté, Utsch confirmou a tentativa de suicídio na delegacia, há 23 anos. “A tentativa de suicídio na cela da PF também ocorreu na cela da Furto e Roubo de Veículos em 2003”, disse Cláudio à Itatiaia.

“No decorrer dos anos, outro modo de atuar foi adotado por ele: os golpes cibernéticos, sobretudo agindo em concurso com um grande estelionatário mineiro. Aliás, a parceria criminosa virou negócio familiar, pois “MEXERICA casou-se com a filha dele”, disse o delegado.

‘Sicário’ é apontado nas investigações da PF como chefe de equipe de capangas que trabalhavam para o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master.

Inquérito

A PF vai apurar as circunstâncias da tentativa de suicídio de ‘Sicário’. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, determinou abertura de inquérito em Minas Gerais.

‘Sicário’ de Vorcaro

Mourão havia sido preso na operação realizada nessa quarta-feira (4) por ordem do ministro André Mendonça. Ele era investigado por atuar no monitoramento de adversários do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-CEO do Banco Master, e por planejar ações violentas contra pessoas consideradas desafetas do empresário.

Na decisão que autorizou a prisão, Mendonça descreveu Mourão como responsável por atividades de obtenção de informações sigilosas, vigilância de alvos e “neutralização de situações sensíveis aos interesses do grupo investigado”. Segundo as investigações, ele recebia pagamentos mensais de cerca de R$ 1 milhão.

As apurações também citam mensagens trocadas entre Mourão e Vorcaro sobre o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo, que havia publicado reportagens críticas ao banqueiro. Em uma das conversas, Vorcaro sugere que o jornalista fosse seguido. Em outra, afirma que queria que ele fosse agredido em um suposto assalto.

A PF investiga possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, corrupção ativa e passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro, violação de sigilo funcional, fraude processual e obstrução de Justiça.

Conforme a investigação, o grupo coordenado por Mourão - identificado nas comunicações como “Sicário” - seria responsável por organizar uma estrutura dedicada ao monitoramento de pessoas e à obtenção de informações sensíveis.

Repórter policial e investigativo, apresentador do Itatiaia Patrulha.
Jornalista formado pela Newton Paiva. É repórter da rádio Itatiaia desde 2013, com atuação em todas editorias. Atualmente, está na editoria de cidades.

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