Relação entre Maduro e Lula estava desgastada nos últimos meses

Apesar de Lula defender a soberania venezuelana, a relação dele com Maduro não era boa, uma vez que o brasileiro não reconheceu as eleições da Venezuela

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil) e Nicolás Maduro (Venezuela)

A relação entre o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, com Nicolás Maduro, presidente da Venezuela preso pelos Estados Unidos no sábado (3), vem piorando ao longo dos últimos meses. Segundo fontes ouvidas pela Itatiaia, há algum tempo, Maduro já não atendia mais as ligações do brasileiro.

Isso teria ocorrido principalmente por Lula não ter reconhecido as eleições da Venezuela em 2024, que Maduro alegou ter vencido. Depois disso, o chavista parou de atender as ligações do brasileiro.

Lula costumava conversar com Delcy Rodríguez, vice de Maduro, que fazia a interlocução entre os dois governos. Porém, nos últimos meses, ela também parou de atender as ligações do governo brasileiro.

O presidente brasileiro chegou a oferecer ajuda a Donald Trump na interlocução da relação com a Venezuela, porém isso foi impedido pelo desgaste entre os dois países. O Brasil tenta retomar o contato com a Venezuela.

O plano de fundo de toda a tensão entre Venezuela e Estados Unidos tem a ver com o petróleo, o qual os americanos têm interesse. O governo brasileiro, porém, não entrará neste conflito e se manterá neutro.

A única posição do Brasil em relação aos ataques em Caracas foi de defesa da soberania nacional, algo que o presidente Lula tem batido na tecla ao longo dos últimos meses. Mas o governo brasileiro não falará nada além disso.

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Cronologia da ação dos EUA

Ataque e captura (02h50 – 03h20)

  • 02h50 | Explosões em Caracas: Moradores da capital venezuelana relataram tremores e o som de aeronaves de guerra. Pelo menos sete explosões foram ouvidas em um intervalo de 30 minutos. Segundo informações obtidas pelo The New York Times, a ofensiva inicial deixou ao menos 40 mortos.
  • 03h00 | A Invasão da Força Delta: Tropas de elite da Força Delta invadiram o complexo onde Maduro estava com sua esposa, Cilia Flores. A inteligência da CIA, que monitorava o padrão de vida de Maduro desde agosto, foi crucial para o sucesso da incursão.
  • 03h20 | Extração Aérea: Em menos de meia hora, Maduro e Cilia foram retirados de helicóptero e levados ao navio militar USS Iwo Jima, posicionado estrategicamente no Mar do Caribe.

    Operação concluída (06h21 – 13h40)

    • 06h21 | Anúncio de Trump: Através da rede Truth Social, Donald Trump oficializou a captura: “Os EUA realizaram com sucesso um ataque de grande escala. Maduro foi capturado e retirado do país por via aérea”.
    • 06h40 | Reação Venezuelana: A TV estatal da Venezuela classificou a ação como “sequestro” e uma “violação flagrante da soberania e da Carta das Nações Unidas”. O governo chavista acusou os EUA de tentarem confiscar os recursos minerais e o petróleo do país.
    • 13h23 | A Foto do Flagra: Trump publicou a primeira imagem de Maduro sob custódia. Na foto, o venezuelano aparece algemado, com os olhos vendados e usando fones de ouvido.
    • 13h40 | Governo de Transição: Em coletiva em Mar-a-Lago, Trump afirmou que os EUA governarão a Venezuela imediatamente para garantir uma “transição sensata”. Ele descartou o apoio à opositora María Corina Machado, afirmando que ela não teria força para governar sozinha.

    Situação da Venezuela (15h00 – 18h40)

    • 15h00 | Substituição em Caracas: A vice-presidente Delcy Rodríguez rejeitou a autoridade americana e convocou um conselho especial de defesa. No entanto, a Suprema Corte da Venezuela ordenou que Rodríguez assuma a presidência interina para garantir a continuidade administrativa do país.
    • 18h40 | Desembarque em Nova York: A aeronave militar com Maduro pousou na Base Aérea de Stewart, em Nova York. Escoltado por mais de uma dúzia de agentes federais da DEA, Maduro foi visto algemado e vestindo roupas cinzas. Ele passou pelo processo de fichamento, incluindo coleta de digitais e fotos judiciais.

    Prisão (23h00)

    • Custódia no Brooklyn: Nicolás Maduro foi transferido para o Centro de Detenção Metropolitano no Brooklyn, a mesma unidade onde estão detidas figuras como o rapper Sean “Diddy” Combs.
    • Próximos Passos: O ex-líder venezuelano deve compare a um tribunal federal de Manhattan nesta semana. Ele responderá por acusações de tráfico internacional de drogas e posse ilegal de armas de fogo.

    De acordo com fontes militares citadas pela CNN, nenhum soldado americano morreu na operação, embora alguns tenham sofrido ferimentos por estilhaços durante o confronto em solo.

    Edilene Lopes é jornalista, repórter e colunista de política da Itatiaia e podcaster no “Abrindo o Jogo”. Mestre em ciência política pela UFMG e diplomada em jornalismo digital pelo Centro Tecnológico de Monterrey (México). Na Itatiaia desde 2006, já foi apresentadora e registra no currículo grandes coberturas nacionais, internacionais e exclusivas com autoridades, incluindo vários presidentes da República. Premiada, em 2016 foi eleita, pelo Troféu Mulher Imprensa, a melhor repórter de rádio do Brasil.
    Formada pela PUC Minas, Maria Fernanda Ramos é repórter das editorias Minas Gerais, Brasil e Mundo na Itatiaia. Antes, passou pelo portal R7, da Record.

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